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RIO - O recuo de 1,3% observado na produção industrial em agosto na comparação com julho ainda não pode ser creditado aos aumentos dos juros básicos da economia brasileira deste ano. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o efeito calendário, com dois dias úteis a menos em agosto, contribuiu para o recuo.

"Os setores que são mais diretamente ligados a crédito, como bens de consumo duráveis, até aqui não mostram uma sinalização de uma desaceleração que venha disso (dos juros). O mesmo acontece nas estatísticas de varejo. Então, o lado real da economia, até aqui, pelas estatísticas de curto prazo, não teria sofrido uma inflexão por conta da mudança da política de juros", afirma o coordenador de indústria do IBGE, Silvio Sales. Ele lembrou que, mesmo com a queda de 1,3% em agosto, a indústria acumula alta de 5,3% no bimestre julho-agosto.

Entre os 27 ramos pesquisados, o IBGE verificou decréscimo em 15 deles no oitavo mês deste ano. Nas principais baixas, chamaram atenção Outros Produtos Químicos (-5,5%), Alimentos (-3,1%) e Refino de Petróleo e Produção de Álcool (-4,1%).

De acordo com Sales, a trajetória de alta da taxa básica de juro também não pode ser responsabilizada pela desaceleração da produção dos bens de consumo duráveis. No bimestre julho-agosto, o setor cresceu 6,1% na comparação com igual período do ano passado, abaixo dos 14,1% observados no segundo trimestre, em relação ao segundo trimestre do ano passado.

Nesta comparação, a produção de automóveis passou de alta de 21,4% no segundo trimestre para 13,5% nos dois últimos meses, enquanto os eletrodomésticos passaram de uma queda de 8,2% para recuou de 2,7%.

"A desaceleração nos bens duráveis acontece porque a base de comparação no segundo semestre do ano passado é muito forte. Mesmo entre os automóveis, que puxam para cima o índice, não se manteve o percentual de crescimento de 21% do segundo trimestre", pondera Sales.

O técnico do IBGE lembra que o efeito calendário, que jogou contra em agosto, vai favorecer a produção industrial em setembro, quando haverá um dia útil a mais que no mês anterior.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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