A crise mundial no mercado financeiro poderá trazer um pouco de trabalho para a Petrobrás captar recursos para seus projetos no médio prazo, disse ontem o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, em entrevista após participar do encerramento da Rio Oil & Gas. Segundo ele, porém, a crise não deve se estender ao ponto de prejudicar o financiamento dos projetos do pré-sal, cujos desembolsos devem ser mais intensos na próxima década.

No curto prazo, disse o executivo, os investimentos já estão administrados e não há problemas. "É claro que ninguém é louco de captar recursos no momento", afirmou. Já no médio prazo, poderá haver necessidade de acessar o mercado. "Mas nossos projetos são bons e o mercado sempre está disposto a financiar bons projetos", frisou o executivo.

Em sua palestra na Rio Oil & Gas, Gabrielli traçou um cenário do mercado de petróleo e disse não apostar em mais nenhuma grande queda ou grande alta no preço no mercado internacional. "Os fundamentos são de aperto entre oferta e demanda, que é o principal componente dos preços altos que vivemos nos últimos tempos", analisou.

Ele destacou que os contratos não comerciais de petróleo tiveram papel preponderante nas grandes oscilações do mercado nos últimos anos. "A especulação tem seu sentido porque os fundamentos não podem explicar como nesses três meses o preço do petróleo vai para US$ 147 e chega a US$ 91", comentou.

Na opinião do executivo, porém, não há mais espaço para que os preços caiam para níveis do início dos anos 2000, quando oscilavam abaixo dos US$ 30 por barril, por conta do crescimento da demanda maior do que a oferta e dos altos custos de insumos para o setor.

O planejamento estratégico da companhia - que está sendo revisto e deve superar os US$ 112 bilhões previstos até 2012 - indica que os projetos são robustos com o preço do petróleo em US$ 35 por barril, valor que deve ser alterado na nova versão do plano, que será divulgada em outubro.

Para o futuro, ele destacou o aperto entre oferta e demanda e as dúvidas a respeito do comportamento do mercado, que hoje é mais influenciado por países em desenvolvimento e de fora da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) do que no passado. Ele também citou a capacidade de expansão dos países tradicionalmente não produtores e os biocombustíveis.

"Estamos entrando em um momento em que o futuro vai depender muito mais do desconhecido. A dinâmica de formação de preços e do mercado tenderá a se modificar."

Além da pouca distância entre oferta e demanda, disse ele, a variação ocorre pela entrada e saída rápida de capital de outros mercados nas compras de petróleo. Outros componentes nesse cenário serão as dúvidas a respeito do comportamento do mercado, que hoje é mais influenciado por países em desenvolvimento e de fora da Opep do que no passado, bem como a capacidade de expansão dos países não tradicionalmente produtores, de alternativas não convencionais ao petróleo e ao gás.

Pela manhã, em cerimônia de batismo da plataforma P-53, no Rio Grande do Sul, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, José Sérgio Gabrielli destacou que a crise financeira internacional ainda não chegou a afetar a estatal diretamente.

Ele observou que o mercado de crédito está se contraindo, mas avaliou que os projetos "que têm sustentabilidade sempre encontrarão financiamento". Mesmo que a oferta de crédito fique menor, o executivo avaliou que os projetos da Petrobrás são "bons e poderemos conseguir financiamento".

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