Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Para FMI, governos devem capitalizar bancos

Os governos devem capitalizar os bancos em dificuldades, promover a liquidação dos inviáveis e comprar os títulos podres para ajudar o funcionamento dos mercados. A recomendação é do Fundo Monetário Internacional (FMI) em seu novo Relatório sobre Estabilidade Financeira Global, divulgado ontem.

Agência Estado |

Os principais bancos globais precisarão de US$ 675 bilhões, nos próximos cinco anos, para voltar à normalidade e manter um modesto crescimento do crédito, segundo os autores do estudo. Pelos novos cálculos, as perdas causadas pelo estouro da bolha americana devem chegar a US$ 1,4 trilhão.

Em abril, o prejuízo previsto era de US$ 945 bilhões. Cerca de 40% das perdas com títulos originados nos Estados Unidos devem ficar para instituições européias. Além de obter US$ 675 bilhões de capital, os bancos ainda precisarão vender "algo como US$ 1 trilhão de ativos" para empresas não bancárias, disse o diretor do Departamento Monetário e de Mercado de Capitais do FMI, o economista Jaime Caruana.

O relatório mostra "quão séria é a crise", disse o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn. "Conclamo os formuladores de políticas para urgentemente cuidar da crise, em nível nacional, com medidas abrangentes para restaurar a confiança no setor financeiro. Ao mesmo tempo, os governos devem coordenar estreitamente seus esforços para restabelecer a estabilidade no sistema internacional."

Casualidade ou não, o presidente do Federal Reserve (Fed), Ben Bernanke, também defendeu ontem, em discurso na Associação Nacional de Economia de Empresas, em Washington, uma intervenção oficial extraordinária para conter a instabilidade financeira. "A assistência governamental", disse o Bernanke, "deve ser fornecida com a máxima relutância e somente quando está em perigo a estabilidade do sistema financeiro e, portanto, a saúde da economia mais ampla".

Segundo o FMI, 2008 é um desses períodos excepcionais, e nenhum país está livre das dificuldades. Os mercados emergentes pareciam "relativamente imunes" à crise nos mercados desenvolvidos, mas estão sendo afetados pela redução do crédito externo, agora mais caro, pela desvalorização dos produtos básicos e pela desaceleração da economia mundial.

As empresas desses países captaram US$ 88 bilhões em créditos externos, pela emissão de títulos, nos três primeiros trimestres do ano passado. No mesmo período de 2008, a captação caiu para US$ 40 bilhões.

A fuga de capitais derrubou os preços das ações e, se prosseguir, afetará os mais dependentes de financiamento externo e com menor proporção de reservas cambiais. O relatório não examina a situação brasileira, razoável em relação aos dois quesitos, principalmente no caso do segundo, com reservas 60% superiores à dívida externa de curto prazo. Numa tabela comparativa entre países, o Brasil só aparece com um ponto negativo: o rápido crescimento do crédito ao setor privado, 31% num ano. De modo geral, a situação dos latino-americanos é considerada bem mais tranqüila que a dos emergentes da Europa Oriental, quase todos com grande vulnerabilidade financeira, inflação alta e contas externas em mau estado.

Mas o foco do relatório é mesmo a desordem nos mercados do mundo rico. Os Estados Unidos, segundo o documento, permanecem como o epicentro da crise financeira. Seu mercado imobiliário continua em baixa, a desaceleração econômica se intensifica e tudo isso contribui para baixar a qualidade dos empréstimos ainda existentes.

Embora as empresas financeiras tenham reconhecido boa parte das perdas vinculadas a créditos de baixa qualidade (subprime), "a possibilidade de novas baixas contábeis aumenta as pressões sobre os balanços", disse Caruana. Cresce, portanto, o risco de novas perdas e "o ponto de virada no ciclo dos calotes ainda não foi alcançado", de acordo com a análise.

Desde a última edição do relatório, em abril, o cenário só piorou. Segundo Caruana, "riscos macroeconômicos continuam crescendo, enquanto a atividade se desacelera nas economias avançadas e a expansão econômica perde impulso nas emergentes."

O impacto da crise no crescimento econômico será discutido com mais detalhes, hoje, quando for divulgado o novo Panorama Econômico Mundial, também publicado semestralmente pelo FMI. As novas estimativas devem ser bem menos otimistas que as publicadas em abril.

As primeiras tentativas de conter a crise falharam, a instabilidade aumentou e tornou-se cada vez mais difícil "uma solução puramente privada" para a crise, comentou Caruana. A resposta das autoridades foi buscar soluções mais amplas. Nessas condições, segundo o economista, será necessário um conjunto de medidas coerentes em termos internacionais para vencer a crise.

A coordenação será necessária, segundo o FMI, para se cuidar dos "três principais problemas de hoje nos mercados financeiros": fortalecer o capital básico das instituições viáveis, absorver com dinheiro público os ativos problemáticos e ampliar a oferta de fundos para fortalecer os balanços. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG