Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Para Fiesp, medidas do governo só atenuam efeitos da crise

SÃO PAULO - Forçar a manutenção do emprego nas empresas, seja pelo fornecimento de crédito, seja por meio de flexibilização de leis trabalhistas, não resolverá, segundo a Fiesp, o problema de demanda local e externa que vem sendo enfrentado pelo setor produtivo. Não adianta aprisionar a empresa a um nível maior de emprego com um nível menor de produção, diz Paulo Francini, diretor do Departamento de Economia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Valor Online |

Na avaliação dele, as recentes medidas do governo, como o início do corte da Selic e o aumento de capital do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em R$ 100 bilhões são positivas, mas apenas atenuam os efeitos da crise. "Não teremos êxito em evitar que 2009 seja pior que 2008."
A Fiesp, que já tinha evitado fazer previsões para 2009 em dezembro, continua reticente em fazer apostas sobre o rumo dos indicadores neste ano, dado o grau ainda alto de incerteza e as rápidas mudanças no cenário econômico.

A exemplo do que já havia dito o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, Francini reforçou que o Banco Central agiu "tardiamente" ao iniciar apenas na semana passada o ciclo de redução do custo do dinheiro. Já o aumento dos recursos para empréstimo ao setor produtivo por meio do BNDES "vai na direção correta", segundo ele.

A ressalva é em relação ao spread. Com as taxas dos bancos ainda altas, os cortes do juro básico podem ser insuficientes para fazer o dinheiro chegar aos tomadores. A vantagem imediata na redução da Selic está na diminuição do custo financeiro do governo com a dívida, mas os esforços para resolver a escassez de crédito também devem ser direcionados contra os níveis de spread bancário.

O índice de indicadores antecedentes da Fiesp, chamado Sensor, referente à primeira quinzena deste mês mostra que o pessimismo do empresariado ainda é alto, mas está menor do que nos últimos levantamentos.

Nos primeiros 15 dia de janeiro, o índice total alcançou 43,5 pontos. Embora variações abaixo de 50 pontos apontem para uma percepção negativa do empresariado sobre o mês corrente, a pontuação melhorou em relação às três pesquisas anteriores. Na segunda quinzena de novembro foram 42,5 pontos, que declinaram para 34 pontos na primeira quinzena de dezembro e ficaram em 35,1 na segunda quinzena do mês passado.

"Está menos pior", diz Francini, lembrando que não se pode classificar o movimento de retomada do otimismo. No próximo levantamento devem ser contabilizados os efeitos da Selic menor e do aumento do crédito no BNDES no humor dos industriais.

Dentre as cinco variáveis que formam o Sensor da indústria, a percepção em relação aos estoques é a pior, tendo fechado os últimos quinze dias em 38,4 pontos. Isso significa que o setor ainda está muito estocado, o que é um banho de água fria em expectativas de retomada de produção.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG