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Para executivos, ainda dá tempo de formar trabalhador do pré-sal

RIO DE JANEIRO - Os desafios gerados pelas descobertas das megareservas de petróleo na camada pré-sal deixaram mais evidentes a falta de profissionais enfrentada atualmente pela indústria petrolífera no Brasil.

Reuters |

Mas a boa notícia é que ainda há tempo suficiente para formar esses trabalhadores, pelo menos até que os poços iniciem o período de produção plena, disseram executivos do setor.

O Brasil, assim como a maioria dos países, enfrenta uma falta de profissionais jovens mas com experiência de cinco a dez anos no setor, contando com uma maioria de especialistas mais velhos, alguns perto de sua aposentadoria, ou com empregados recém-formados.

Isso ocorreu, segundo executivos que participam da Rio Oil & Gas, devido aos baixos preços do petróleo na década de 1990, que desestimularam a contratação no Brasil e também em algumas partes do mundo, fazendo com que os jovens daquela época optassem por carreiras não necessárias à indústria petrolífera.

"Essa lacuna (de profissionais relativamente jovens mas habilitados para o serviço) é um problema que existe e não tem solução. Na era Collor, decretou-se que a Petrobras não contrataria mais ninguém, e chegou uma época em que o curso de Geologia tinha mais vagas do que candidatos", afirmou o vice-presidente da petroleira BP no Brasil, Ivan de Araújo Simões Filho.

Mas, observou o executivo, com as descobertas do pré-sal, "acho que teremos tempo para planejamento, porque os principais campos só vão estar produzindo a pleno vapor na segunda metade da próxima década".

Hoje, com uma escassez de funcionários capacitados, muitas empresas do setor estão sendo obrigadas a recontratarem engenheiros que estão se aposentando, e, além disso, chega a haver em alguns casos um leilão de salários, na tentativa de se garantir os melhores profissionais.

Em tal contexto, ressaltou Simões Filho, existe uma perspectiva de um bom mercado de trabalho nas próximas três décadas, principalmente para aquelas pessoas formadas em cursos de Engenharia e outros relacionados a Geologia e Geofísica, assim como para aqueles com estudos em Administração, que serão os responsáveis por administrar a economia do pré-sal.

Treino intensivo

Mesmo antes do anúncio das novas reservas, a Petrobras, que passou por um processo de perda de trabalhadores na década de 1990, iniciou uma recomposição de seus quadros. A estatal já aprovou a contratação de 12 mil funcionários nos próximos cinco anos.

Com o pré-sal, os profissionais disponíveis estão sendo submetidos a um intensivo programa de treinamento, para que possa ser recuperado o tempo perdido, e mais profissionais devem ser contratados.

"Podemos construir uma plataforma em quatro anos, mas não temos bons profissionais formados em menos de dez anos", ressaltou o gerente-executivo da Área de Negócios Internacionais da Petrobras, Samir Awad.

"Mas o processo de treinamento está começando a dar resultados", acrescentou ele, ressaltando que o objetivo é ter um trabalhador capacitado no menor tempo possível.

Décadas de desenvolvimento

O presidente-executivo da Norse Energy, Kjetil Solbraekke, observou que a falta de profissionais, especialmente daqueles jovens com capacidade de desenvolver novas tecnologias para o setor, é um problema da indústria em todo o mundo.

"Mas o Brasil está numa boa situação, porque é o melhor momento para estar aqui, e muitas pessoas virão participar disso", disse ele, referindo-se à capacidade de atrair profissionais do pré-sal.

"Esse país tem 50, 60 anos de desenvolvimento para seus projetos, não são apenas os próximos dez anos", destacou.

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