O saldo negativo do fluxo cambial em fevereiro, de US$ 399 milhões, não chegou a ser uma surpresa para os especialistas. Tem a ver, principalmente, com o desempenho da balança comercial e, em parte, com os problemas enfrentados por algumas economias europeias.

Ex-diretor do Banco Central, Carlos Thadeu de Freitas é seguro na avaliação: "Não é nada dramático. É uma situação temporária. Tem muito a ver com a sazonalidade da balança comercial. Começamos o ano importando mais, mas isso não vai persistir porque as commodities vão puxar o aumento das exportações".

Além do aumento nas exportações, o Brasil deve contar com outro reforço no fluxo cambial. O País vai continuar a atrair investidores estrangeiros, principalmente para a compra de títulos públicos. "Temos um diferencial de taxa de juros muito forte, com previsão de alta. Então, não tenho motivo para mudar minha expectativa para este ano", afirma.

Economista-chefe da Link Investimentos, Marianna de Oliveira Costa também acredita na melhora do fluxo cambial puxada pelas exportações de commodities. "Mas trabalhamos com uma previsão perto de zero no saldo comercial", ressalva. Mas ela lembra: "O crescimento maior do que se espera para a economia este ano deverá resultar em aumento das importações em áreas em que não somos autossuficientes".

Ela lembra, por exemplo, que as gruas usadas na construção civil são alugadas de estrangeiros, em dólar. Além disso, as exportações de commodities, apesar de ajudarem na balança comercial, resultam em custo de frete para os embarques. "Fora o fato de os brasileiros estarem viajando cada vez mais para o exterior. Por isso, a previsão é negativa para o saldo em transações correntes", comenta.

Por outro lado, Marianna também aposta no crescente volume de dólares trazidos por investidores estrangeiros. Um dos chamarizes, diz, será a retomada dos lançamentos iniciais de ações (IPO) de empresas brasileiras. "O que vimos em outros anos foi que 60% dessas ações foram compradas por estrangeiros", diz. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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