Genebra, 7 jan (EFE).- A possibilidade de um acordo nas negociações da Rodada de Doha passa por determinar qual é o nível de responsabilidade e de compromisso que se requer dos países em desenvolvimento emergentes, afirmou hoje a representante de Comércio dos Estados Unidos, Susan Schwab.

"Para mim, este é um dos temas principais. O compromisso e influência dos países em desenvolvimento mais avançados no processo de Doha", assinalou.

As negociações de Doha na Organização Mundial do Comércio (OMC) se encontram paralisadas desde agosto, quando um pequeno grupo de países do mundo industrializado e em desenvolvimento fracassou em sua tentativa de alcançar acordos fundamentais em matéria agrícola.

Houve uma tentativa de relançar o processo em dezembro com uma nova reunião de ministros, mas "havia uma série de temas irreconciliáveis" que tornava muito "arriscado" convocar tal encontro, lembrou Schwab, quem entrega o cargo no próximo 20 de janeiro com toda a Administração de George Bush.

Ao realizar um balanço da Rodada de Doha, Schwab aconselhou que, antes que se reiniciem as conversas, se aborde a questão pendente de "como os mercados emergentes podem ter um papel proporcional ao seu papel na economia mundial".

Ela lembrou que na OMC foram criadas "estruturas formais e informais que levaram os países emergentes (Brasil, China e Índia) à mesa de negociações no mesmo nível que os países desenvolvidos, em termos de influência com relação ao resultado final".

Segundo Schwab, ainda está pendente estabelecer "que nível de responsabilidade estará nessa mesa", embora pondere que não há como exigir dos países em desenvolvimento mais avançados o mesmo do que às nações ricas.

No entanto, insistiu em que "há uma grande diferença entre o que deveríamos esperar de Brasil, China ou a Índia e o que deveríamos esperar do Quênia. Há uma diferença na contribuição que os mercados emergentes teriam que fazer".

Sobre o futuro da Rodada de Doha, Schwab opinou que ela requer um período para refletir e analisar o conquistado até agora e "tomar algum tempo para avançar" e considerou que a melhor opção seria "um trabalho intenso em segredo". EFE is/jp

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