Rio de Janeiro, 9 out (EFE).- O secretário de Comércio dos EUA, Carlos Gutierrez, afirmou hoje no Rio de Janeiro que a crise financeira internacional torna a conclusão da Rodada de Doha mais necessária, ao indicar que um aumento da troca comercial pode compensar as perdas nos mercados.

"Agora é que mais necessitamos dos benefícios da Rodada de Doha.

Cresceu o interesse em salvá-la", disse Gutiérrez, no primeiro de seus dois dias de visita ao Brasil.

O secretário americano afirmou que, perante a crise financeira, é preciso impedir que alguns países se isolem e mostrar que o aumento do comércio pode ser benéfico para todos e uma das soluções aos problemas dos mercados.

"O comércio é uma parte da economia que pode compensar as perdas nos mercados. Precisamos liberá-lo para que os países que sentirão com maior força os efeitos da crise possam exportar mais", afirmou.

Gutiérrez assegurou que os Estados Unidos trabalham ao lado de países como o Brasil para reviver as negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC), que, na sua opinião, podem ajudar a sair da pobreza cerca de 500 milhões de pessoas no mundo todo.

Acrescentou que, com empenho dos líderes de vários países, é possível organizar uma nova reunião ministerial, "com uma agenda mais realista", para impedir o fracasso da rodada.

"Doha não está morta. Estamos buscando formas de reabilitá-los.

Foi sobre isso que conversaram ontem os presidentes (do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e de EUA, George W. Bush)", afirmou.

"É muito possível que a troca comercial fique abaixo de nossas expectativas nos próximos semestres. A crise terá um grande impacto no que compramos e afetará os países que exportam para os Estados Unidos", afirmou.

"Mas a melhor forma de proteger as economias das atuais dificuldades é aumentando as exportações e manter o compromisso com a abertura comercial", acrescentou.

Afirmou que os países com posição financeira mais forte são precisamente os que se abriram para o investimento estrangeiro e o comércio, citando México, Chile, Brasil e Peru.

"México e Chile, que negociaram acordos de livre-comércio com os EUA, mais Peru, Brasil e outros países da região que concorrem, exportam e atraíram investimento também têm hoje os mercados mais fortes e estão melhor posicionados para lidar com a crise", afirmou.

Gutiérrez lembrou que um dos maiores erros durante a crise de 1929 foi precisamente haver aumentado as tarifas sobre as importações.

"Isso provocou um forte queda em nossas exportações e subiu a taxa de desemprego nos EUA a 25%", sustentou.

"Hoje não podemos adotar essas políticas. Não podemos pensar em barreiras e sim em decisões para aumentar o comércio", colocou. EFE cm/jp

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