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Para especialistas, governo deve atuar além do BC

O aumento nos juros básicos da economia promovido pelo Banco Central (BC) está na direção correta para conter a inflação, mas não é a única solução. Para especialistas, o governo federal tem ferramentas mais eficientes que esta para combater a alta nos preços, como reduzir os gastos públicos.

Paula Leite, repórter Último Segundo |

Para a economista do Banco Santander Luiza Rodrigues, o timing do Banco Central foi bom. Não acho que a inflação dos alimentos nem os preços no exterior estão contaminando os preços aqui. Acho que é inflação de demanda verdadeira, e por isso o BC está fazendo o certo, que é subir os juros, afirmou.

O economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV) André Brás concorda: O BC está mantendo a austeridade e aumentando os juros, o que deve reduzir o crédito. Essa ação não surte efeito imediato, mas vai reduzir, mês a mês, a inércia inflacionária, explicou. Mas, para Brás, a redução dos gastos públicos seria importante. O governo já começou a fazer esta redução e mostrou que está na direção correta, mas poderia atuar de forma mais organizada, opinou o economista.

Já o gerente do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) André Rebelo acredita que o aumento na taxa básica de juros não é o melhor instrumento para conter a inflação.

Segundo ele, a alta de preços que se verifica no Brasil é importada e causada por fatores que o BC não pode controlar. Nem se Deus estivesse no Banco Central seria possível controlar a inflação, afirmou.

Rebelo acredita que, já que o governo não pode impedir o crescimento da inflação, deve controlar os efeitos secundários dela para evitar o repasse de preços. Segundo ele, para a indústria, o aumento dos juros é mais prejudicial do que a própria inflação. Com os juros mais altos, o câmbio fica valorizado e aumentam os custos para a indústria, diz. Nesse sentido, segundo ele, a forma adotada para combater a inflação é mais prejudicial do que a inflação em si.

Para Brás, da FGV, desestimular o financiamento poderia ser bastante eficaz no combate à inflação. Seria importante haver regras para que os consumidores soubessem com clareza o quanto os juros dos financiamentos pesam no preço da compra. Se o consumidor calcular que, ao comprar um carro financiado, vai acabar pagando o dobro por ele, pode decidir adiar a compra. Em grande escala, essa redução de financiamentos reduz a pressão inflacionária, diz.

Mas o economista afirma que, apesar da cautela que o momento exige, não é preciso haver pânico nem fazer estoques de produtos, como era comum na época do chamado dragão da inflação. A corrida aos supermercados acaba pressionando a inflação, porque causa uma falsa impressão de aumento na demanda e pode acabar causando aumento de preços, explicou.

O melhor comportamento para o consumidor, segundo ele, é fazer pesquisa de preços, evitar os produtos mais caros. Luiza, do Santander, concorda. O melhor é trocar as marcas para as mais baratas, deixar de comprar alguns produtos e parar de se endividar, recomenda.

* Colaborou Mariana Sant´anna

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