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O combate à incerteza dos trabalhadores e à "rádio corredor" em tempos de mudanças ou crise é apontado pelas empresas brasileiras mais bem colocadas na edição 2010 do prêmio "Melhores Empresas para Trabalhar na América Latina", do Instituto Great Place to Work, como a principal arma para a garantia da satisfação dos funcionários. Para executivos da Caterpillar do Brasil (3.

O combate à incerteza dos trabalhadores e à "rádio corredor" em tempos de mudanças ou crise é apontado pelas empresas brasileiras mais bem colocadas na edição 2010 do prêmio "Melhores Empresas para Trabalhar na América Latina", do Instituto Great Place to Work, como a principal arma para a garantia da satisfação dos funcionários. Para executivos da Caterpillar do Brasil (3.ª posição no ranking, atrás da Kimberly Clark de El Salvador e da IBM do Peru) e da Chemtech (7.º lugar), o salário deve ser justo, mas dinheiro não cria um bom ambiente de trabalho. De acordo com o presidente do Instituto Great Place to Work, José Tolovi Júnior, o salário tem de estar dentro do nível razoável do mercado: não pode ser nem alto nem baixo demais. "Se o salário for alto demais, a pessoa ficará na empresa pelo motivo errado. Deixará de aceitar propostas estimulantes porque está financeiramente confortável. Entre as melhores empresas para se trabalhar no mundo todo, nota-se que o pagamento é justo", explica. Embora as características que tornam uma empresa boa para trabalhar não sejam palpáveis, elas garantem resultados práticos, segundo a Great Place to Work. De acordo com o presidente do instituto, em 2009, quando a economia andou para trás em boa parte da América Latina, as cem empresas do ranking na região tiveram crescimento médio de 18,6% no faturamento. Para Luiz Carlos Calil, presidente da fabricante de máquinas Caterpillar, de Piracicaba (SP), transparência cria união. Em 2008, quando a empresa sofreu uma queda de 80% em suas exportações, o executivo fez questão de ir à fábrica conversar pessoalmente com os funcionários sobre eventuais demissões. Mesmo com o corte de mil vagas, a companhia optou por fazer comunicados claros aos funcionários: com isso, os boatos foram mantidos em patamar mínimos. Com a amenização da crise e as boas perspectivas de crescimento para os próximos anos, especialmente nos setores construção civil e de mineração, a Caterpillar já iniciou o processo de recontratação de profissionais, readmitindo cerca de 50% dos funcionários dispensados na época da crise. De uma média de 3,5 mil funcionários no ano de 2009, a empresa já chegou ao patamar atual de 4,4 mil. Até dezembro, de acordo com Calil, deve atingir 4,8 mil. A média de tempo de casa dos trabalhadores na Caterpillar é de dez anos. Reestruturação. Para a Chemtech, empresa do Rio especializada em projetos de engenharia e solução industrial, a mudança veio em uma reestruturação societária. Fundada em 1989 por três engenheiros, a companhia teve o controle acionário comprado pela Siemens em 2001 e foi inteiramente adquirida pelo grupo alemão sete anos depois. No início de 2010, veio a "separação" definitiva do desenho inicial: dois dos fundadores da Chemtech, incluindo o presidente Luiz Eduardo Rubião, deixaram a companhia. Hoje com 1,3 mil funcionários, a Chemtech tem escritórios em São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte e uma recém-inaugurada unidade em Natal. O principal cliente é a Petrobrás, embora também tenha contratos de fornecimento com Vale, CSN e Braskem. Apesar do crescimento, a diretora de recursos humanos da empresa, Denise Cardoso, conta que o canal de comunicação aberto que a empresa tem com os funcionários foi mantido mesmo após a incorporação total pela Siemens.

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