Entidades setoriais criticam o conservadorismo do Copom e defendem redução do juro para estimular a economia

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) em elevar em 0,5 ponto percentual a taxa básica de juro da economia desagradou o setor produtivo. Apesar de apontar uma desaceleração na elevação da Selic, a maioria das entidades de classe considera que o aumento da taxa é desnecessário para conter a inflação e prejudica o desenvolvimento econômico.

“O momento pede uma parada técnica para que o BC análise melhor a situação a partir dos aumentos dos juros básicos nos meses anteriores e possa tomar a decisão mais acertada daqui para frente” afirma o diretor-executivo da Fecomercio-SP, Antonio Carlos Borges. O presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Alencar Burti, concorda. Para ele, o BC deveria manter a taxa e, se necessário, convocar uma reunião extraordinária para mexer nos juros.

Para as entidades, os últimos indicadores de variação de preços mostram um arrefecimento da inflação e tornam, consequentemente, novas elevações de juros desnecessárias. O IPCA-15 de julho registrou deflação de 0,09% . Para a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o resultado mostra que a inflação registrada no início do ano era sazonal e, portanto, não precisava ser contida com elevação da Selic.

O presidente em exercício da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, viu “com algum alento” a decisão do Copom, que optou por uma alta de 0,5 ponto percentual no juro básico e não 0,75, como defendiam a maioria dos economistas. Para ele, a economia já está em desaceleração e juros maiores não são necessários. Andrade lembrou que a produção industrial parou de crescer há dois meses e taxas maiores podem prejudicar o setor.

A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) sugere que, em vez de combater a inflação com juros altos, o governo comece a usar a política fiscal para conter a alta dos preços na economia. “Nesse sentido, a contenção do gasto público corrente possibilitaria ao País conviver com taxa de juros mais baixa, o que certamente implicaria em menores custos em termos de produção e emprego”, diz a entidade, em nota.

Trabalhadores

A Força Sindical e a União Geral dos Trabalhadores também se manifestaram contrários à decisão do Copom. “É realmente lamentável que as autoridades monetárias brasileiras tenham se transformado em meros aduladores dos especuladores, e suas decisões estão cada vez mais distante dos interesses da sociedade e do Brasil”, afirma o presidente em exercício da Força, Miguel Torres.

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