Os países emergentes serão as próximas vítimas da crise financeira internacional que começou nos Estados Unidos e se estendeu para a Europa ocidental, advertiu nesta sexta-feira o diretor gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, em entrevista ao jornal austríaco Der Standard.

Os países de economia emergente "não só deverão enfrentar a baixa de suas exportações e a redução da confiança como também são as últimas vítimas de uma crise financeira que começou nos Estados Unidos, se estendeu à Europa e está transbordando agora para além das fronteiras européias", escreveu o chefe do FMI.

Com a retirada em massa de capitais e de investimentos estrangeiros nos países da Europa Central e do Leste, em particular, Strauss-Kahn insistiu "numa certa ironia da história".

Ele observou que, atualmente, é mais atraente repatriar aos países altamente industrializados o dinheiro investido nos últimos anos com altos rendimentos nas economias emergentes, por causa das medidas aplicadas pelos dirigentes dos países ricos para sustentar os bancos nacionais em dificuldades.

"Isso complica a existência dos países de economia emergente", disse Strauss-Kahn, pois, "para sustentar a demanda nacional, eles devem aceitar adotar medidas similares às anunciadas pelos países altamente industrializados", como as ajudas estatais temporárias aos bancos em dificuldades.

No entanto, a recente alta do nível de vida, principalmente nos antigos países comunistas, parece vir acompanhada do acesso a capitais estrangeiros, que vão começar a desaparecer rapidamente.

"Estes países não podem enfrentar sozinhos estes novos desafios e os países industrializados devem estar dispostos a garantir os financiamentos que alcançarão uma quantia inédita", acrescentou.

Por fim, lançou uma advertência diante da alternativa que consiste em recorrer ao protecionismo, ao controle de bancos e a moratórias, que são fatais para a economia mundial.

O diretor gerente do FMI anunciou quinta-feira que proporá ao G20 "um plano de nova governança mundial", articulado em cinco eixos, que reafirmará o papel regulador da instituição.

Ele espera da reunião do G20, prevista para 15 de novembro, que se compreenda "a dimensão da situação histórica que estamos vivendo e, portanto, espera um impulso decisivo, a partir do documento que nós submeteremos ao grupo sobre as lições da crise, para a reforma da governança mundial", declarou em entrevista publicada nesta sexta-feira pelo jornal francês "Le Monde".

Strauss-Kahn viajará nos dias 8 e 9 de novembro a São Paulo para apresentar um documento sobre lições da crise a ministros das finanças e governadores de bancos centrais do G-20.

Segundo o porta-voz do organismo, David Hawley, o diretor-gerente do FMI conta com um plano de cinco pontos para reafirmar o papel regulador do Fundo e que seriam os seguintes: aumentar a liquidez dos países em dificuldades, aumentar os recursos do FMI, tirar as conclusões necessárias da crise, em termos de políticas econômicas, vigiar a aplicação de novas regulamentações financeiras e ajudar a repensar um sistema mundial mais coeerente.

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