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Para Correa, problemas entre Equador e Brasil vão se resolver

O presidente do Equador, Rafael Correa, afirmou neste sábado que as relações entre seu país e o Brasil vão se acertar depois das tensões originadas pela expulsão da construtora Odebrecht e anunciou um acordo com a Petrobras para que a petroleira brasileiro continue operando em território equatoriano.

AFP |

O chefe de Estado equatoriano se mostrou convencido de que seu colega Luiz Inácio Lula da Silva entende as medidas adotadas contra a Odebrecht, apesar do mal-estar expressado pelas autoridades brasileiras, que suspenderam, em represália, os projetos de cooperação com Quito.

"Estou certo que essas coisas vão se acertar, apesar das tentativas da imprensa de aprofundar o confito", afirmou Correa em seu programa seanal de rádio e televisão.

"Em relação à Petrobras, a boa notícia é que ontem (sexta-feira) foi firmado o acordo. Tudo está acertado, ou seja, eles aceitaram as condições do país", acrescentou.

Dessa forma, a Petrobras, que extrai 32.000 barris diários de petróleo da amazônia equatoriana, se somou às demais petroleira que aceitaram deixar todo o petróleo em mãos do Estado em troca de faturar gastos da operação e receber o royalties.

Na semana passada Rafael Correa expulsou por decreto a Odebrecht e a estatal Furnas, alegando uma série de irregularidades nos contratos assinados com a construtora por 800 milhões de dólares.

O conflito teve como estopim o fim das operações da hidrelétrica San Francisco apenas um ano depois do início do funcionamento, e apesar da empresa ter aceitado reconhecer suas responsabilidades Quito expulsou a construtora alegando a descoberta de outras irregularidades nos contratos.

Em função disso, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva congelou a cooperação com o Equador, apesar da tentativa de Quito de evitar que o afetasse sua boa relação com Brasília.

Desde então, o Equador vem tentando esfriar as tensões políticas com o Brasil e a chefe da diplomacia de Quito, María Isabel Salvador, admitiu na quinta-feira que o diálogo entre os dois governos "se viu, sem dúvida, afetado" pelo caso Odebrecht, mas que a decisão conjunta é avançar para uma normalização.

"Acredito que nesse tema do Brasil - e a única coisa que faço é repetir o que me disse o chanceler Celso Amorim - vamos avançar positivamente; temos que dar um tempo de repouso por causa de toda esta situação que se causou no Brasil", afirmou a ministra das Relações Exteriores em entrevista ao canal Teleamazonas.

A chanceler equatoriana considerou que o tema teve uma reação "um pouco forte no Brasil".

"Mas acredito que isso vai voltar ao normal", enfatizou.

A imprensa equatoriana divulgou nesta quinta-feira declarações de Amorim advertindo que o comércio entre os dois países pode ser reduzido a zero, caso Quito se recuse a pagar um crédito de 243 milhões de dólares ao BNDES, que financiou a obra de San Francisco.

A balança comercial entre os dois países alcançou em agosto passado os 552 milhões de dólares, com um saldo desfavorável para a nação andina.

vel/mg/cn

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