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A força do impacto da crise econômica na atividade industrial no último trimestre surpreendeu a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O presidente da entidade, Armando Monteiro Neto, admitiu que o ajuste no setor está sendo mais forte do que era imaginado.

A CNI não descarta a hipótese de a economia brasileira entrar, tecnicamente, em recessão até o fim do primeiro trimestre.

A CNI divulgou ontem que a quantidade de horas trabalhadas na produção caiu 8% em dezembro na comparação com novembro, feito o ajuste sazonal.Trata-se da maior retração na comparação mensal deste indicador desde 2003, quando foi iniciada a atual série histórica. "Esses 8% estão fora do padrão da série. São quase quatro vezes maior do que o recorde anterior", disse o economista-chefe da CNI, Flávio Castelo Branco.


O nível de utilização da capacidade instalada também continua em queda, saiu de 81,4% em novembro para 80,2% em dezembro. Castelo Branco destacou que o conjunto de dados do último trimestre de 2008, comparado com o trimestre anterior, representa o pior desempenho da indústria desde 2003.

Entre o fim do terceiro trimestre, em setembro, e dezembro de 2008, o faturamento real da indústria caiu 10,4%, na série com ajuste sazonal. Sem esse ajuste, a queda chega a 16,2%.

Na comparação de dezembro com novembro, houve alta de 1,4% nas vendas mas, segundo a CNI, isso é apenas um "ajuste de acomodação", depois da forte queda de 11,1%. No resultado anual de 2008, por causa do bom desempenho dos três primeiros trimestres, as vendas das indústrias cresceram 5,7%.

Para evitar que a crise se agrave, o presidente da CNI defende que o Banco Central dê mais agilidade às decisões relativas à taxa básica de juros. Para ele, há espaço, ainda no primeiro semestre, para que a Selic, hoje em 12,75%, caia para menos de 10%. "O BC está dançando em um ritmo diferente do da economia. Precisa ser mais ágil", afirmou Monteiro Neto.

Para ele, a indústria deve continuar a trajetória de desaceleração no primeiro trimestre, mas em ritmo mais suave do que o verificado nos últimos três meses de 2008. "Não imaginamos que o tombo do quarto trimestre se repita no primeiro trimestre de 2009". Assim, a atividade da indústria deve se estabilizar e começar a mostrar alguma recuperação no segundo trimestre. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.