Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Para CNA, linha de crédito para refinanciamento de dívidas é inócua

Brasília, 19 - A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) informou hoje que a decisão do governo de criar uma linha de crédito para refinanciamento das dívidas de investimento é uma medida inócua. Em nota, a CNA explicou que a parcela da dívida de investimento vem sendo renegociada há três anos, prática que eleva o risco da operação.

Agência Estado |

Diante desse quadro, a assessora técnica da CNA, Rosemeire dos Santos, acredita que os bancos não terão interesse em oferecer a linha. "É provável que as instituições financeiras não venham a operacionalizar tal linha de crédito, visto que terão de arcar com esse risco", explicou.

Ontem, o Conselho Monetário Nacional (CMN), em reunião extraordinária, aprovou a Resolução 3.637, criando uma linha de crédito destinada à quitação de até 40% das parcelas de investimento com vencimento em 2008, contratadas no âmbito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), inclusive o Finame Agrícola no Centro-Oeste.

Na nota, a CNA informou que as parcelas de investimento para 2008 estão estimadas, conforme informações da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, em R$ 4,1 bilhões, vincendas e vencidas em 2008. A maior parte desse volume corresponde a dívidas enquadráveis na Resolução CMN 3.575, de 2008, portanto, passíveis de renegociação.

Ela lembrou que o setor vem prorrogando os saldos devedores desde 2005, o que tem dificultado ainda mais o acesso ao crédito, em vista do agravamento da classificação de risco das operações. A crise financeira internacional agravou ainda mais esse quadro. "O agravamento da crise econômica e as dificuldades em contrair novos recursos para o plantio da safra têm motivado a inadimplência. Não são raras as queixas dos agricultores de que as instituições financeiras têm condicionado a liberação do crédito ao pagamento das parcelas vencidas em 2008, embora a legislação em vigor lhes permita renegociar", disse Rosemeire.

Para ela, a própria Lei 11.775 (antiga Medida Provisória 432), incentiva tal prática, na medida em que estabelece que, uma vez renegociada a dívida, o produtor não poderá tomar novos créditos para investimento. Na nota, a CNA informa que os bancos de fábrica estimam que a inadimplência atinge 28% da carteira e afeta, especialmente, o Centro-Oeste. Para os recursos operacionalizados pelo Banco do Brasil, a inadimplência chega a 15%, atingindo os Estados de Mato Grosso e Goiás.

Juros

A elevada inadimplência, em um cenário de estímulo à renegociação, proporcionado pela recente publicação da Lei 11.775/2008, traz o entendimento de que as medidas adotadas não foram suficientes para amenizar, pelo menos no curto prazo, a falta de liquidez do setor. Na avaliação da CNA, uma das causas do endividamento rural, no segmento investimentos, é a elevada taxa de juros contratados nos programas vinculados ao BNDES, entre 8,75% a 14,75% ao ano, vigentes por um longo período, reduzidos por força da Lei 11.775, de 2008, para 6,75% a 10,25% ao ano.

"É notório que, se não houve condições de pagamento com as taxas vigentes, não haverá condições de pagamento com taxa superior em 0,25 ponto percentual, acumulando-se o saldo devedor aos saldos das demais operações e do custeio da Safra 2008/09, que possui um custo financeiro bastante elevado", informou a assessora técnica.

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG