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Para Brasil, oferta da UE de reduzir tarifa é propaganda

O Brasil classificou a oferta de ampliação no corte da tarifa agrícola de 54% para 60% feita hoje pela União Européia (UE) no âmbito das discussões da Rodada Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC), como propaganda, e não ficou impressionado com a proposta. Esse número é uma conseqüência de diferentes números que a UE já estava estudando, afirmou o embaixador Roberto Azevedo, subsecretário de Assuntos Econômicos e Tecnológicos do Itamaraty e um dos principais negociadores do Brasil.

Agência Estado |

 

"Isso não diz respeito a uma concessão, mas às conseqüências das negociações", disse ele. "Se a UE está propondo ampliar o corte da tarifa, é porque possui margem para fazer isso."

Tarifa industrial

O comissário do Comércio da União Européia (UE), Peter Mandelson, disse hoje que é fundamental que os países em desenvolvimento façam cortes "reais" nas tarifas industriais para que seja possível chegar a um acordo na Rodada Doha. Mandelson, que está sob forte pressão política, sobretudo da França, endureceu sua posição sobre a questão industrial. "Esses cortes devem oferecer novo acesso ao mercado na prática. Nada mais funcionará para nós. Nada mais permitirá a conclusão do acordo", disse.

Em relação à proposta da UE de ampliar o corte nas tarifas agrícolas de 54% para 60%, Mandelson afirmou que a Europa está preparada para fazer cortes "dolorosos" nos pagamentos para produtores, mas apenas se receber garantias de avanço em outros tópicos, como tarifas industriais e serviços. "Estamos preparados para oferecer mais do que os outros nessa rodada, mas todos devem entender que precisamos de algo em troca", disse. "A oferta da UE não continuará na mesa indefinidamente."

A representante de Comércio dos Estados Unidos, Susan Schwab, também pediu aos mercados emergentes para que dêem sua contribuição ao processo, destacando o papel "fundamentalmente crítico" desses mercados para a Rodada Doha. Segundo ela, a maior parte da contribuição deve surgir por meio da liberalização do mercado, em vez de cortes de subsídios. As informações são da Dow Jones.

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