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Para BC, aperto monetário deve diminuir déficit de conta externa

BRASÍLIA - O Banco Central espera que, além de colocar a inflação dentro da meta em 2009, o atual ciclo de aperto na política monetária interrompa - ou pelo menos amenize - a contínua deterioração nas contas externas. A hipótese se baseia na constatação de que, para o caso brasileiro, a demanda doméstica é o fator mais importante para determinar o volume de importações, superando até mesmo a taxa de câmbio.

Valor Online |

O efeito da alta de juros sobre as contas externas é um assunto controverso entre os economistas. Alguns deles atribuem o déficit em conta corrente, que registrou uma virada de US$ 19,810 bilhões entre o primeiro semestre de 2007 e de 2008, à forte valorização do câmbio, que, por sua vez, teria sido causada sobretudo pela alta de juros.

Outra leitura, difundida pelo BC, é que a política monetária relaxada expandiu a demanda doméstica, puxando o déficit externo. As pesquisas econômicas feitas pela autoridade monetária corroboram essa tese, ao apontar que a chamada absorção doméstica é mais importante do que a taxa de câmbio para explicar o resultado de contas correntes.

Os economistas Marcelo Kfoury Muinhos, Sérgio Afonso Lago Alves e Gil Riella prepararam um modelo de pequeno porte para a economia brasileira, incluindo o setor externo, dentro do trabalho permanente do Departamento de Pesquisa Econômica (Depec) do BC para subsidiar decisões de política monetária. Divulgado em 2002, as principais conclusões do trabalho ainda continuam válidas.

No caso das exportações, o volume embarcado responde mais ao crescimento mundial do comércio do que ao câmbio. Os cálculos são de que um aumento de 1% no comércio mundial leva a um aumento de 0,44% no volume exportado. No caso da taxa de câmbio, uma desvalorização de 1% leva a um aumento de 0,14% nos embarques.

De forma análoga, a demanda doméstica é mais importante para explicar as importações - alta de 1% no consumo e investimentos leva a um aumento de 1,2% nas importações. Já uma valorização de 1% na taxa de câmbio aumenta em apenas 0,2% as importações. Os exercícios econométricos também mostram que, quando a economia cresce mais, aumentam os pagamentos de juros da dívida externa.

Para o caso das remessas de lucros e dividendos, porém, o resultado é conflitante com a realidade atual. Os economistas constatam que, quanto maior o crescimento, menor as remessas, porque as empresas reinvestem mais lucros no país. A experiência recente indica, porém, que o crescimento puxa as remessas, que dispararam no passado recente, somando US$ 31,621 bilhões no período de 12 meses encerrado em junho.

Com base nessas evidências, o BC trabalha com a hipótese de que o atual ciclo de alta de juros vai, de alguma forma, moderar o déficit em conta corrente. Isso não quer dizer que a política monetária esteja sendo calibrada com vistas ao equilíbrio externo. O objetivo do BC é colocar a inflação na meta em 2009. Mas, para tanto, terá de reduzir o ritmo de expansão da demanda - e um resultado colateral é moderar o déficit externo.

Economistas vêm acusando o BC de desinflacionar a economia por meio da valorização da taxa de câmbio. Na visão desses especialistas, os juros não conseguem afetar a inflação pelo canal da atividade econômica, mas apenas pelo câmbio. A repercussão dessa política, segundo os críticos, é a volta dos déficits em conta corrente, que deixam o país vulnerável a paradas súbitas no financiamento externo.

O BC, de outro lado, diz que a tese de que apenas o câmbio reduz a inflação caiu por terra em 2007, quando o real se valorizou e a inflação subiu. Se o objetivo fosse valorizar o câmbio para conter a inflação, argumenta a autoridade monetária, o próprio BC não estaria fazendo pesadas aquisições de dólares - o lógico seria vender, e não comprar.

Na visão do BC, os juros devem visar apenas o equilíbrio interno da economia, colocando a inflação nas metas. No regime de metas de inflação, a taxa de juros deve ser desonerada da função de promover o equilíbrio do balanço de pagamentos , disse na semana passada o presidente do BC, Henrique Meirelles, ao abrir o seminário anual de metas de inflação. O equilíbrio externo da economia é dado, segundo o BC, pelo câmbio, que é flutuante e fixado no mercado.

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