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Para Banco Mundial, latinos podem retomar forte crescimento

SÃO PAULO - A América Latina deve conseguir voltar às altas taxas de crescimento econômico quando terminar o ciclo de desaceleração mundial provocado pela crise financeira nos EUA.

Valor Online |

 É o que prevê o economista-chefe do Banco Mundial para a região, Augusto de La Torre. "Acredito que a região conseguirá voltar à tendência de crescer entre 5% e 6% ao ano que vinha registrando até 2007, desde que vença alguns desafios", diz La Torre, que apresenta nesta quinta-feira suas previsões no Fund Forum Latin America , em São Paulo.

La Torre refere-se à tendência de crescimento econômico descontada do ciclo. Ou seja: a América Latina não vai escapar da desaceleração da economia global. O Banco Mundial prevê desaceleração do PIB regional neste ano. Depois de crescer 5,6% em 2007, o PIB da região deve registrar crescimento entre 4,5% e 4,7% neste ano. A previsão para 2009 é de 4%.

A grande dúvida é se quando a economia mundial entrar na rota de recuperação, a América Latina manterá a tendência de crescer mais rapidamente como nos últimos anos. La Torre acredita que a América Latina tem grandes chances de consolidar, a partir de 2009, taxas de crescimento superiores à da média mundial e mais próximas dos países asiáticos.

O economista discorda das análises internacionais pessimistas que creditam parte das altas taxas de crescimento latino-americanas à sorte: forte demanda mundial, preços de commodities em alta e alta liquidez provocada por baixas taxas de juros.

Em primeiro lugar, claramente a percepção de risco em relação à região diminuiu, tanto em termos de prêmio de risco atribuído aos países quanto em acesso a linhas de crédito. Esta foi a primeira crise em que não houve reversão significativa no acesso a capital , afirma. Mas menor vulnerabilidade financeira não se traduz automaticamente em maior potencial de crescimento.

A América Latina pode sustentar taxas de crescimento superiores à média mundial se agir rápido para capitalizar alguns dos ganhos que terá ainda durante a crise , diz La Torre. Por exemplo: apesar da forte volatilidade dos últimos meses, os preços de commodities dificilmente retornarão a patamares muito baixos, o que beneficia as economias latino-americanas exportadoras desses produtos. O petróleo pode ter caído do pico de US$ 147, mas não ficará muito abaixo de US$ 100, na visão do Banco Mundial.

"Esses fatores favoráveis deveriam ser usados pelos países para melhorar os níveis educacionais e fazer a necessária modernização na infra-estrutura", acredita o economista do Bird. Outras medidas necessárias são fomento à inovação e melhora do ambiente de negócios. "Se os países conseguirem aproveitar os próximos anos para fazer isso, chegarão ao fim da crise em melhores condições de retomar altas taxas de crescimento."

"Já existem alguns sinais de que a América Latina manterá a tendência de alto crescimento após a crise", diz La Torre. Um deles é a taxa de investimento das economias, que continua crescendo, e o investimento direto estrangeiro, cujo volume previsto continua alto.

A média de investimento direto para o Brasil, por exemplo, continua em torno dos US$ 30 bilhões neste ano e no próximo. Além disso, as economias têm registrado elevações mais altas na produtividade do que a média dos últimos anos. Os índices de crescimento de produtividade são maiores no Peru e Panamá, mas também importantes no Brasil e Colômbia.

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