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Para analistas, plano só funciona a longo prazo

As medidas para o setor agrícola que serão lançadas pelo governo amanhã só terão efeito sobre a safra - e, em conseqüência, sobre os preços - caso sejam de longo prazo e incluam iniciativas de sustentação de preços e redução de juros para financiamento aos produtores, avaliam representantes do setor. Paralelamente, especialistas em inflação acreditam que medidas para aumento de safra, embora importantes, têm efeito limitado e imprevisível sobre os preços.

Agência Estado |

Para o ex-ministro da Agricultura e consultor do Friboi, Marcus Vinicius Pratini de Moraes, as medidas têm de estar concentradas no trigo e no arroz, produtos "muito sensíveis" e que estão pressionando a inflação. O arroz acumula reajuste de 25,75% e está entre as quatro maiores pressões de alta no IPCA em 2008, assim como o pão francês, influenciado pelo preço do trigo, que tem aumento acumulado de 19,38%.

Além disso, segundo o ex-ministro, "não devem ser adotados mecanismos de curto prazo". Segundo ele, a agricultura responde bem a incentivos e normalmente os resultados vêm na safra seguinte ao anúncio de medidas mas, sem iniciativas de longo prazo, os ganhos desaparecem rapidamente. A nova safra começa a ser plantada em setembro. A safra 2008, que alcançará 142,6 milhões de toneladas, a maior do País, não está ajudando a conter a inflação dos alimentos, com alta de 6,4%, pelo IPCA, no acumulado do ano até maio.

A assessora técnica da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Rosemary Santos, diz que, no caso de trigo, arroz e feijão, culturas voltadas ao mercado interno, a produção não cresce mais porque faltam incentivos. "A política de sustentação de preços é fundamental e tem de se estender por cinco safras, pelo menos." Ela adianta que, pelas informações de que dispõe do novo plano de safra, a iniciativa tem a desvantagem de ser uma política de curto prazo, "para uma safra só".

"A expectativa é que (o plano) não vai atender às necessidades do setor". Para ela, iniciativas que incluam sustentação de preço e crédito seriam "injeção na veia" para o setor, que responderia rapidamente com aumento na safra.

O Brasil é, tradicionalmente, importador de trigo e, de janeiro a maio deste ano, as importações do produto cresceram 46% ante igual período do ano passado. A safra prevista em 2008, de 4,6 milhões de toneladas, está em torno de metade do consumo nacional, ainda que seja 12,4% superior ao ano passado, segundo estimativa do IBGE. "Trigo e arroz são produtos extremamente sensíveis, é preciso políticas especiais, também na comercialização", afirmou Pratini de Moraes.

O ex-diretor de política monetária e chefe do departamento de economia da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, disse que "aumentar a safra é uma boa medida, mas não vai influenciar necessariamente os preços". Ele partilha da corrente que vê, como únicas armas para conter a inflação, no momento, o aumento dos juros e a restrição ao crédito.

O economista da PUC-RJ, Luiz Roberto Cunha, também afirmou que "aumentar a safra sempre ajuda", mas que é bom lembrar que "os preços das commodities são formados lá fora". Ele argumentou, que, além dos alimentos, a hora é de "rezar pelo preço do petróleo".

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