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Para analistas, Banco Central se antecipou a piora da crise

Um dos principais objetivos das medidas anunciadas ontem pelo Banco Central (BC) é dar maior competitividade aos bancos de médio porte e evitar graves problemas de liquidez no futuro. Desde o início do ano, essas instituições vêm perdendo mercado para os grandes bancos por causa do encarecimento das captações.

Agência Estado |

Com a piora do cenário internacional, o temor de que a situação pudesse se agravar acendeu o sinal amarelo no mercado e dentro governo.

"O que o BC fez foi se antecipar a um problema que poderia se agravar mais lá na frente", afirmou o analista de bancos da consultoria de investimentos Lopes Filho & Associados, João Augusto Salles. Ele explica que desde março as taxas de emissão de CDBs estão bem acima do Certificado de Depósito Interbancário (CDI).

Em dezembro, as taxas das captações feitas por grandes bancos estavam em 99% do CDI; saltaram para 105% do CDI em março e se mantiveram nesse nível até semana passada. No caso das instituições de médio porte, as taxas subiram para 107% ou 108% do CDI. Isso provocou uma queda expressiva na competitividade desses bancos porque o custo dos empréstimos ficou maior comparado ao das grandes holdings. "O resultado disso é o achatamento das margens e lucros."

A corrida pelos CDBs foi incentivada por dois fatores. O primeiro foi a crise internacional, que tornou o mercado de captação externa menos atraente. O segundo está associado ao início do recolhimento de compulsório sobre as captações das empresas de leasing no mercado de renda fixa. Até o início deste ano, os bancos vinham usando esse meio para manter a liquidez em alta de forma mais barata.

Mas o BC decidiu reduzir o potencial desse mercado e estipulou a cobrança de compulsório sobre a operação. A alíquota começou em 5% e atingiria 20% em novembro e 25% em janeiro (prazos alterados para janeiro e março, respectivamente). Na época, a intenção era reduzir a liquidez do mercado e diminuir o crescimento do crédito.

Além de postergar a cobrança, a autoridade monetária também decidiu elevar de R$ 100 milhões para R$ 300 milhões o valor a ser deduzido pelas instituições do cálculo da exigibilidade adicional sobre os depósitos a prazo, à vista e da poupança. "As medidas foram um passo importante para dar liquidez aos bancos médios", disse o economista e sócio da Integral Trust, Roberto Troster
Ele destacou que, enquanto a concessão de crédito dos cinco maiores bancos do País cresceu 50,6% até junho, comparado com igual período de 2007, a das demais instituições avançou apenas 18,2%. Para ele, esse é um reflexo do custo mais caro do dinheiro para os bancos de médio porte.

Outro fator, diz Salles, é que os grandes bancos resolveram mirar o mercado de pequenas e médias empresas e roubaram muitos clientes desses bancos nos últimos meses. "Os dois problemas juntos - captações mais caras e perda de mercado - vinham tirando o sono dos banqueiros."

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