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Para analista, pré-sal precisará de outras empresas além da Petrobras

RIO - O analista de energia para América Latina do UBS Pactual, Gustavo Gatass, acredita que o desenvolvimento rápido dos campos da região do pré-sal do litoral brasileiro dependerá da atuação de mais empresas, além da Petrobras.

Valor Online |

Os investimentos cabem no balanço da Petrobras? Depende de quão rápido vamos querer desenvolver os campos. Se for rápido, teremos que ter muito mais que a Petrobras atuando no país, afirmou Gatass, que participou hoje do seminário Os desafios do pré-sal, promovido pelo Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP) e pela Fundação Getulio Vargas (FGV), na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

De acordo com o analista, Tupi teria um custo de US$ 36 bilhões até que os sócios começassem a ter retorno com o investimento. Nesse período, a Petrobras, dona de 65% do campo, teria de arcar com cerca de US$ 20 bilhões, o que, segundo Gatass, caberia no orçamento da empresa. O problema é que o pré-sal não é só Tupi, frisou Gatass.

O analista acrescenta que o desenvolvimento dos campos do pré-sal, com custo médio por barril de óleo equivalente de US$ 12,70, poderia chegar a US$ 635 bilhões. Esta conta leva em conta uma vazão por poço de 20 mil barris por dia, mas caso essa vazão fique em 10 mil barris por dia, o custo pode atingir US$ 1,27 trilhão.

Gatass também contestou afirmações de que a fatia das receitas petrolíferas apropriadas por parte do Estado é pequena. De acordo com ele, um campo do tamanho de Tupi - caso se confirme o topo da expectativa para a área, de 8 bilhões de barris de óleo equivalente de reservas - poderia destinar até 62,7% das receitas obtidas para o governo, levando em consideração o preço de US$ 95 pelo barril do tipo Brent.

Segundo o analista, outra peculiaridade do sistema de cobrança de impostos e taxas no setor petrolífero brasileiro é que a mordida governamental sobe à medida que o preço do petróleo cai. Como exemplo, lembrou que Tupi, com o petróleo a US$ 60 o barril, entregaria 63,5% das receitas para o Estado, percentual que atingiria 65% com o barril a US$ 40.

O analista do UBS Pactual defendeu ainda a manutenção das regras para os contratos existentes no setor, embora tenha deixado claro que a expectativa da existência de grandes reservas de petróleo e gás justifica a disposição do governo em discutir um novo marco regulatório.

Se vai ter muito mais óleo do que imaginávamos, temos que parar e pensar mesmo. O que não pode é assustar o pessoal que está investindo, ressaltou.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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