O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, disse que sexta-feira será o dia decisivo das negociações da Rodada Doha para liberalização do comércio mundial na Organização Mundial do Comércio (OMC) em Genebra. Vamos continuar as discussões e acho que será o dia em que saberemos se (um acordo) é possível ou não, afirmou Amorim, depois que os negociadores concluíram as discussões do dia. Talvez não terminemos tudo, mas precisamos ter um acordo.


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Sexta-feira será decisiva, diz Amorim
Sexta-feira será decisiva, diz Amorim
Amorim disse preferir ter uma atitude "construtiva" do que pessimista. "Até agora não houve rompimento. Houve envolvimento, houve interesse em continuar", disse Amorim. "O tempo está se esgotando e há, é claro, o limite da resistência física", acrescentou, referindo-se às longas discussões da noite de quarta-feira que terminaram às 4h da madrugada de quinta-feira em Genebra.

A representante de Comércio dos EUA, Susan Schwab, também afirmou que sexta-feira será o dia decisivo da semana de discussões destinadas a salvar a Rodada Doha, após sete anos de impasses nas negociações. "Há algum avanço, mas nem perto do que precisamos", disse, ao deixar a sede da OMC. "Alguns países estão se esforçando mais do que outros, e veremos se todos estão preparados para fazer sua parte."

O ministro do comércio indiano, Kamal Nath, declarou que as negociações estão avançando "aos poucos", mas o comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson, respondeu "Não" ao ser questionado sobre se houve progresso.

O Brasil, os EUA, a União Européia, o Japão, a Índia, a Austrália e a China devem se reunir novamente ao meio-dia de sexta-feira, antes que uma reunião mais ampla, reunindo todos os 35 ministros convidados ao encontro, seja realizada, disseram as autoridades. As informações são da agência Dow Jones.

Negociações

Persiste o impasse entre países ricos e pobres sobre quem deve dar o próximo passo. Originalmente, as negociações deveriam ir até sábado, mas dirigentes afirmam que ou elas fracassam antes disso devido às divergências ou elas se arrastam pela próxima semana.

Os EUA e a União Européia já fizeram ofertas para reduzir tarifas e subsídios agrícolas, e agora pressionam os países emergentes, como Brasil, Índia e China, a apresentarem propostas mais generosas na abertura para serviços e produtos industriais.

Os países emergentes dizem que as ofertas de Washington e Bruxelas são insuficientes para que a Rodada de Doha, lançada em 2001, alcance seu objetivo de ajudar os produtores mais pobres.

"As negociações estão trancadas, mas a chave para destrancá-las está nas mãos das economias emergentes", disse à Reuters o representante italiano, Adolfo Urso.

O indiano Nath afirmou que os EUA precisam ir além da oferta feita nesta semana de limitar seus subsídios agrícolas a US$ 15 bilhões de por ano, quase um terço do teto atual mas o dobro dos pagamentos do ano passado.

Nath explicou que as negociações estão "avançando" em áreas que vão da determinação do teto dos subsídios agrícolas às tarifas sobre bens industriais.

Fator Sarkozy

As negociações de Doha sofreram novas críticas do presidente da França, Nicolas Sarkozy, que se mostrou preocupado com a redução das tarifas agrícolas para a UE. Ele afirmou que não poderia assinar um acordo com base na situação atual das negociações.

Esses comentários foram rebatidos pela Alemanha, grande exportador mundial. "Tem-se a impressão de que a França não quer ver uma conclusão positiva", disse uma autoridade alemã. "Há diferentes pontos de vista entre Alemanha e França. A Alemanha vai continuar lutando por uma conclusão bem-sucedida."

  • Com informações da Agência Estado e da Reuters

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