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SÃO PAULO - O vice-presidente José Alencar foi enfático nesta tarde ao afirmar que o afastamento da cúpula da Agência Brasileira de Informação (Abin), inclusive do diretor Paulo Lacerda, determinado ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é provisório. Não se trata de demissão. A decisão, segundo ele, visa dar transparência ao processo de investigação dos grampos ilegais, que ele qualificou de violência.

É preciso que haja investigação para buscarmos o responsável por esse grampo que foi posto no presidente de um dos poderes, disse, referindo-se a Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF).

Questionado se falava atualmente com tranqüilidade ao telefone, Alencar afirmou que sim, mas que às vezes lembra que pode estar grampeado. Com as namoradas agora eu tenho mais cuidado, brincou o vice-presidente, que é casado há mais de 50 anos.

Segundo Alencar, atualmente nenhum brasileiro está seguro de seu sigilo telefônico ou mesmo de comunicações pela internet. Segundo informações estatísticas, há mais de 400 mil telefones que já foram levantados que estão grampeados, disse, referindo-se também a escutas ilegais feitas sem autorização da Justiça.

Para controlar esse processo, o vice-presidente sugere que se recorrer aos mesmos avanços tecnológicos que deram condições para os abusos do tipo. Já para coibir, o vice-presidente diz que é necessária legislação capaz de punir ações desse tipo.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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