Até ser convocado pelos irmãos, primos e tios para apagar o incêndio dos derivativos, Luiz Fernando Furlan, 62 anos, estava com a vida ganha. Depois de já ter sido presidente executivo e do Conselho de Administração da empresa da família e de ter ocupado o cargo de Ministro do Desenvolvimento Indústria e Comércio, ele queria mais era frequentar fóruns mundiais como Davos, aprender a jogar tênis e disputar partidas no videogame wii com os netos.

No entanto, como neto mais velho - e talvez o mais parecido fisicamente - de Atílio Fontana, Furlan encarou o desafio com um senso de dever. "Não estou me queixando, mas não vim para cá por moto próprio. Tenho a missão de rearrumar a casa", afirma. "É claro que quando eu terminar esse desafio, os netos já estarão muito mais cobras no wii."

Para ajudar na missão que lhe foi imposta, Furlan carrega um presente que ganhou de um acionista - uma imagem Santo Expedito, aquele das causas urgentes.

Ainda que seu cargo oficial seja o de presidente do Conselho, na prática, Dr. Luiz, como ele é chamado na empresa, age como um gestor. Confere diariamente o caixa. "Hoje temos R$ 884 milhões em caixa", dizia ele na última quinta-feira. Antes de receber a reportagem do Estado, passou uma hora em reunião com compradores da Rússia, discutindo o imbróglio da imposição de cotas de importação de carne suína brasileira.

Num momento como o atual, preocupa-se em passar uma imagem de austeridade e dá o exemplo. "Essa minha sala aqui foi decorada com o cartão de crédito da minha mulher, com tapetes da Rua 25 de março."

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