Dono da segunda maior receita da indústria de eletroeletrônicos, o mercado de telecomunicações deve faturar R$ 21,1 bilhões em 2008, alta de 21% sobre a cifra de 2007. Mas a projeção da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) para 2009 é de que o segmento mostre um pequeno avanço ou estabilidade, o que será muito bom na avaliação do vice-presidente da associação, Paulo Castelo Branco.

As telecomunicações representam 17% do faturamento de todo o setor eletroeletrônico, que em 2008 deve totalizar R$ 123,710 bilhões. Fica atrás apenas do item Informática, cujas receitas devem ser de R$ 34,899 bilhões este ano, valor 11% maior que o indicado no calendário passado.

Castelo Branco julga imprescindível que a regulamentação no mercado de telecom abra caminho a licitações e à adesão das operadoras para novas tecnologias. "O que aconteceu no final de 2007 (com a oferta de faixas de freqüências para explorar a telefonia móvel de terceira geração - 3G) é a prova de que o mercado precisa de licitações para se desenvolver", observou.

Ele diz ser fundamental para o desenvolvimento do setor o anúncio de leilões para a exploração de serviços como o WiMax (banda larga sem fio). E acredita que o WiMax poderá gerar negócios "já no segundo semestre de 2009".

Outra defesa de Castelo Branco está na oferta de faixas de freqüência destinadas à mobilidade nas telecomunicações, como a de 2,5 GHz (com a qual se pode ofertar TV por assinatura via microondas - MMDS). "Vamos precisar de muito espectro de radiofreqüência para atender a demanda dos usuários por tráfego de dados", afirmou.

O representante da Abinee, concorda que a necessidade das teles móveis de cumprir metas de cobertura, definidas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) no leilão de faixas 3G, ajuda o setor de eletroeletrônicos como um todo. "Mas talvez não gere negócios em volume tão grande quanto em 2008", acredita Castelo Branco, ressaltando que essa situação poderá ser parcialmente compensada por novas licitações.

Ele reconheceu que o valor nominal do dólar afeta os investimentos do setor, mas frisou que, o que causa "perturbação grave nos negócios", é a instabilidade da cotação. "Havendo uma certa normalidade no câmbio, a indústria de telecom pode crescer", destacou hoje, em coletiva de imprensa.

Para o setor de informática, o vice-presidente responsável pela área, Hugo Valério, estimou um avanço de 20% no número de computadores pessoais em 2009, comparativamente a 2008, quando o mercado deverá ter 12 milhões de unidades. O faturamento da categoria informática - que não inclui só PC's - deverá subir 14% em 2009, acima dos 11% esperados para 2008 por efeito do dólar mais alto, que acaba sendo repassado ao consumidor.

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