A francesa Sanofi-Aventis identifica muito espaço para crescer no Brasil, mesmo depois da compra em abril do laboratório Medley, maior fabricante de genéricos do País - um negócio de R$ 1,5 bilhão. Com a aquisição, a companhia se tornou a maior empresa farmacêutica do Brasil, com participação de mercado de 11,1%.

"Ainda existem oportunidades de aquisições", afirmou Christopher Viehbacher, presidente mundial da Sanofi-Aventis, em visita ao País. "Mas não dá para prever quando. É como pescar. Você joga a isca, mas não sabe quando o peixe vai morder." Ele não quis comentar se está em negociações.

A Sanofi-Aventis anunciou ontem a instalação de uma nova fábrica no polo industrial de Brasília, para a fabricação de anticoncepcionais genéricos, um segmento onde a Medley ainda não atuava. Segundo Heraldo Marchezini, presidente da subsidiária brasileira, esse era um projeto que estava sendo tocado pela Medley quando a empresa foi adquirida, e que foi ampliado para atender às necessidades da Sanofi-Aventis.

O investimento será de US$ 45 milhões, com previsão de inauguração em 2012. A empresa planeja investir, num período de três anos, US$ 100 milhões no País, incluindo a nova fábrica. A empresa vai ampliar suas unidades no Estado de São Paulo. Com três fábricas no País, nas cidades de Suzano, Campinas e Sumaré (SP), a Sanofi-Aventis emprega cerca de 4 mil pessoas e faturou R$ 3,278 bilhões no ano passado.

A Sanofi-Aventis Brasil é, atualmente, a oitava maior subsidiária do grupo. O objetivo é chegar a 2012 entre as cinco maiores filiais. "Isso acontecerá tanto pelo crescimento contínuo do Brasil quanto pelo declínio de algumas operações europeias", disse Viehbacher. "O Brasil foi menos afetado pela crise mundial."

O executivo destacou a necessidade de as empresas farmacêuticas criarem uma presença diversificada, com medicamentos de pesquisa (com patentes em vigor), remédios sem prescrição médica, genéricos e vacinas. "As empresas não podem ser dependente de patentes", disse. "A área de vacinas, por exemplo, exige grandes investimentos, e uma presença importante nessa área oferece uma proteção contra o declínio de participação de mercado."

A Sanofi-Aventis trabalha numa vacina contra a dengue e está investindo US$ 500 milhões numa fábrica para o medicamento, que ainda está na fase 2 de desenvolvimento, de verificação da sua eficácia em pacientes. "A diversificação geográfica também é importante", disse Viehbacher. "A dengue, por exemplo, não é uma doença que afeta todos os países."

Os planos da empresa incluem transformar o Brasil em uma plataforma de exportações para a América Latina e outros lugares do mundo. "A fábrica de Suzano já exporta cerca de 21% de sua produção", disse Marchezini. Os clientes externos estão em 11 países latino-americanos.

Segundo Viehbacher, a Sanofi-Aventis também planeja ampliar as atividades de pesquisa e desenvolvimento no Brasil. Atualmente, a empresa conta com duas unidades de pesquisa clínica no País, que receberam mais de US$ 40 milhões de investimento nos últimos anos.

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