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Para a imprensa Obama venceu, mas McCain bateu duro no último debate

O terceiro e último debate entre os dois candidatos à presidência dos Estados Unidos foi o mais acirrado e de melhor atuação para o republicano John McCain, mas o democrata Barack Obama voltou a vencer, analisa a imprensa americana nesta quinta-feira.

AFP |

John McCain teve dificuldades para ocultar sua frustração e mau humor ao tentar em vão fazer Obama tropeçar. Constantemente na ofensiva, acusando a Obama de "não dizer a verdade" aos americanos, o senador pelo Arizona não conseguiu desestabilizar o adversário, que se manteve sereno ante os ataques.

Ao final dos 90 minutos de debate, o veredicto da audiência televisiva foi inapelável. Segundo pesquisas feitas logo após o encontro, exibido pela TV para todo o país, Obama foi o vencedor do debate, com uma vantagem de 58% a 31% sobre McCain, segundo a CNN.

Outra pesquisa da CBS entre eleitores indecisos também deu clara vantagem ao senador por Illinois (53% contra 22%).

No entanto, os principais comentaristas televisivos afirmaram que McCain teve, sem dúvida, seu melhor desempenho frente a Obama, em comparação aos dois debates anteriores.

McCain, que a três semanas da eleição não consegue reduzir a vantagem para o rival, "conseguiu o melhor desempenho: combativo mas com substância, colocando Obama na defensiva", afirma o jornal USA Today.

"No entanto, o debate aconteceu em Nova York no mesmo dia em que o Dow Jones (índice principal da Bolsa de Wall Street) caiu 33 pontos, o que favoreceu o lado de Obama", lembra a publicação.

"O debate de ontem à noite, muito melhor (em relação aos anteriores), pode ajudar ou não McCain, mas de todas as maneiras os eleitores puderam perceber um sentido mais claro das diferentes políticas de democratas e republicanos", opina o Wall Street Journal.

"O debate voltou a cristalizar, mais uma vez, as diferentes políticas dos dois candidatos sobre política fiscal e gastos públicos", afirma o Washington Post.

"Obama decepcionou dada sua condição de favorito nas pesquisas", segundo o jornal da capital.

"O democrata reconheceu a necessidade de estabelecer prioridades e depois voltou a a recitar a mesma lista de objetivos (educação, saúde, energia), cada uma delas parecia ser sua prioridade absoluta", critica o Post.

O mesmo jornal também critica a postura do democrata a respeito dos tratados de livre comércio com a Colômbia ou a Coréia do Sul, mas "as tentativas de McCain de explicar os benefícios do acordo com a Colômbia foram frágeis e confusas".

Obama se recuperou no capítulo social: sua defesa do direito ao aborto e dos investimentos públicos em educação foram mais convincentes, acrescenta o Washington Post.

Para o New York Times, "Obama tem idéias melhores para responder à crise financeira e para colocar a economia novamente no caminho".

McCain, ao atacar duramente Obama por suas supostas relações com um ex-membro de um grupo radical de esquerda dos anos 60, Bill Ayers, acabou por parecer "irado e desesperado", segundo o NYT.

Segundo análise de Kathleen Kendall, professora da Universidade de Maryland e especialista em comunicaçao política, um dos candidatos exibiu uma atitude presidencial e o outro não.

"Ao observar o debate, a impressão que tive é que Obama era o candidato que vai vencer", concluiu Kendall.

jz/fp/cn

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