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Apesar do bom momento vivido atualmente pelo mercado imobiliário, analistas alertam para a possibilidade de as valorizações dos papéis já terem chegado a seu ponto máximo. Ricardo Almeida, professor de finanças do Instituto de Ensino e Pesquisa Insper, acredita que o otimismo propalado por construtoras e incorporadoras já foi incluído na valorização das ações do setor e, daqui em diante, os rendimentos devem manter-se mais estáveis ou até ceder.

"Quem comprar vai pagar o custo desse otimismo, que já foi repassado aos preços", afirma.

De acordo com o professor do Insper, o Brasil deve iniciar um ciclo de alta de juros, com elevações da taxa básica da economia, a Selic. Segundo relatório do Banco Central, a expectativa é de que a Selic suba dos atuais 8,75% ao ano para 11,25% ao ano até o fim de 2010. "O aumento geraria incertezas sobre atividade econômica e crédito", afirma Almeida.

O professor do Insper observa, ainda, que os custos da construção civil também apresentam elevação, o que pode pressionar os preços do setor e levar a um reajuste no valor dos imóveis, o que traria dificuldades para a manutenção de preços para modelos populares.

Em janeiro, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), atingiu 0,64%, maior variação em sete meses (veja quadro). O INCC é uma das principais referências do comportamento de preços utilizadas pela indústria com o objetivo de balizar o varejo.

José Góes, economista da corretora Wintrade, ressalta que o risco do aumento das taxas de juros, a partir da elevação da Selic, também seria um obstáculo ao setor imobiliário, que depende fundamentalmente de crédito, tanto para financiar vendas quanto para lançamentos de novas unidades.

Góes lembra que as companhias ligadas ao mercado imobiliário estiveram entre as que mais sofreram com a crise de crédito, mas acredita no crescimento do setor a médio prazo. "Risco sempre há", diz.

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