SÃO PAULO - Apesar da baixa apresentada pelas commodities e pelos mercados acionários, as ações da Petrobras são os destaques positivos do dia. A conversa que o presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, teve hoje com instituições do mercado pode estar contribuindo para o melhor desempenho dos papéis.

Há pouco, as ações PN movimentavam R$ 607 milhões, com alta de 0,78%, a R$ 36,10. Já as ações ON tinham giro de R$ 144,5 milhões, com valorização de 1%, a R$ 40,30. O Ibovespa recuava 0,67%, aos 68.919 pontos, com giro de R$ 4,8 bilhões.

Gabrielli afirmou hoje que a capitalização da empresa é essencial para permitir a implementação do Plano de Negócios da companhia entre 2010 e 2014, que ainda está em fase de finalização, mas já prevê investimentos entre US$ 200 bilhões e US$ 220 bilhões no período.

"Estamos avaliando que não pode deixar de ter capitalização em 2010. Se o Congresso não aprovar, vamos ter que ter alguma outra alternativa de capitalização", afirmou o executivo.

A estatal trabalha com a possibilidade de a capitalização ocorrer ainda no primeiro semestre. Gabrielli afirmou acreditar que os quatro projetos enviados ao Congresso serão aprovados até 6 de junho, mas admitiu que, caso a capitalização e a cessão onerosa sejam aprovadas antes, não haverá empecilhos ao processo.

"Se tiver definido a capitalização, com a cessão onerosa, teremos que fazer avaliação de fazer a capitalização sem ter claro o regime de partilha. Mas como temos um portfólio, independentemente do regime de partilha, extremamente robusto, é uma hipótese. Mas neste momento trabalhamos com a hipótese de que o governo trabalha com a urgência constitucional para aprovar os quatro projetos", disse, lembrando que o plano de negócios não considera os investimentos para produção dos 5 bilhões de barris que serão incluídos na cessão onerosa.

O analista da Modal Asset, Eduardo Roche, assinala que a fala do presidente da Petrobras está refletindo diretamente nos papéis.

"A valorização dos papéis está muito centrada na fala de Gabrielli sobre a capitalização. Ficou a impressão de que o esforço do governo (para aprová-la) será grande e que a capitalização pode vir em níveis bem justos para o mercado. Além disso, é muito importante a empresa ter algum modelo de capitalização no mercado para ajudar o programa de investimento divulgado, que foi bastante significativo", comentou.

O analista da Gradual Investimentos, Flávio Conde, ressalta que a preocupação do mercado atualmente diz respeito a como a Petrobras conseguirá equacionar o aumento dos investimentos com as fontes de recursos.

Na avaliação de Conde, o mercado gostou de contar com um cronograma mostrando as reais possibilidade do trâmite dos projetos no Congresso ainda neste semestre.

O analista ainda aponta que, desde agosto, a questão da capitalização vem segurando os papéis da Petrobras. De 28 de agosto de 2009 até o fechamento de ontem, os papéis PN da estatal subiram apenas 11,3%, enquanto o Ibovespa se apreciou em 20,25%.

"Pode até ser que o processo continue a segurar um pouco o papel, mas, passada a capitalização, a ação tem tudo para avançar, considerando que o preço do petróleo se mantenha no nível de US$ 80,00", diz.

Para Conde, embora a conversa dos analistas com Gabrielli possa ter ajudado o humor dos investidores, a alta de hoje reflete mais a queda de 1,16% dos papéis no último pregão.

"A conversa ajudou, mas não mudou a apreensão que os investidores em geral e os analistas em particular têm em relação à capitalização", indica Conde, que recomenda a compra dos papéis da Petrobras, com preço-alvo de R$ 48,20 em 12 meses.

Na noite de ontem, a Petrobras ainda informou que os testes realizados na área de Tupi comprovaram "altíssima produtividade" dos reservatórios do pré-sal. Conforme a estatal, foram medidas vazões da ordem de 5 mil barris por dia de óleo leve, de cerca de 28 graus API, limitadas à capacidade de vazão dos equipamentos de teste.

O potencial de produção do poço 3-RJS-662A (3-BRSA-755A-RJS) foi estimado em cerca de 30 mil barris de óleo por dia.

Em relatório enviado ao mercado, a analista da Itaú Corretora, Paula Kovarsky, assinalou que notícia é importante, à medida que confirma o potencial do pré-sal, e ressalta que é crucial para o cálculo de investimentos requeridos para o desenvolvimento do pré-sal, que tem um alto custo por poço.

A analista, que conta com um cenário-base de fluxo de 15 mil barris de óleo por dia, reforçou a recomendação "outperform" para os papéis preferenciais da Petrobras, com preço justo de R$ 53,20.

(Beatriz Cutait | Valor)

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