O deficit anual de 2009 superou 30 bilhões de euros, que se somaram a outros 30 bilhões para refinanciar a dívida pública

O primeiro-ministro da Grécia, o socialista Giorgos Papandreou, reconheceu nesta sexta-feira que muitas das medidas impostas para cortar os gastos públicos são "injustas e desiguais", mas que não havia tempo a perder para evitar a quebra do país.

Papandreou declarou perante o plenário do Parlamento que seu executivo "assumiu decisões muito difíceis, algumas injustas, contra os cidadãos que não têm culpa da situação atual e têm que pagar. Tivemos que escolher entre a quebra da Grécia ou sua salvação".

O líder afirmou que a economia grega se encontra sob supervisão da Comissão Europeia devido ao mau desempenho econômico do governo conservador anterior. Para justificar a afirmação, mencionou o deficit público de quase 14% do Produto Interno Bruto (PIB), que fez com que a dívida pública subisse cerca de 100 bilhões de euros em apenas seis anos. Em 2009, ao assumir o poder, o gasto público estava em 120 bilhões de euros, mais de 50% de PIB, enquanto as receitas estatais eram inferiores a 90 bilhões, (37% do PIB).

O deficit anual de 2009 superou 30 bilhões de euros, que se somaram a outros 30 bilhões para refinanciar a dívida pública, que já passa de 300 bilhões de euros. O escritório de estatísticas da Grécia informou na quinta-feira que a dívida pública aumentou em 11,8 bilhões de euros nos últimos três meses, chegando a 310 bilhões.

Papandreou se disse satisfeito pela forma pacífica com que dezenas de milhares de pessoas protestaram na quinta-feira em uma greve geral de 24 horas que paralisou o país contra as medidas impopulares. "A voz dos descontentamentos foi escutada, sem violência, sem danos à propriedade privada e com respeito ao direito sagrado da greve e do protesto, mas sem violência", disse. Em outra greve geral, há 15 dias, três pessoas morreram e 70 ficaram feridas durante vários incidentes violentos no centro de Atenas.

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