Adriana Flores Bórquez. Atenas, 29 abr (EFE).

Adriana Flores Bórquez. Atenas, 29 abr (EFE).- Os gregos deverão apertar ainda mais o cinto caso seu Governo antecipe um plano de austeridade trianual draconiano que pretende diminuir o déficit público em mais de 10 pontos até 2013 O primeiro-ministro grego, o socialista Giorgos Papandreou, se reuniu hoje em Atenas com os agentes sociais para antecipar alguns detalhes do novo programa de reformas que pretende sanear as contas públicas do país. Papandreou tem duas frentes abertas: a internacional, que deve proporcionar a ajuda financeira que a Grécia precisa, e a interna, sobretudo a sindical, que se opõe ao plano de ajuste exigido tanto pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) quanto pela Alemanha, e que já convocou uma greve geral para a próxima quarta-feira. "A economia está à beira do abismo devido aos Governos anteriores", justificou o primeiro-ministro perante representantes dos empresários e sindicatos. O plano de poupança, que por enquanto terá uma duração de três anos, compreende fortes cortes dos salários dos funcionários, assim como a supressão de dois pagamentos extras, ao mesmo tempo em que prevê o congelamento salarial no setor privado e nas pensões. Além disso, o Governo prevê um aumento adicional de vários impostos, como o IVA, que já subiu dois pontos em março, até 21%, assim como a carga impositiva sobre o tabaco, o álcool e a gasolina. Também serão congeladas as contratações no setor público, com exceção do ensino, saúde e defesa, que conta com um orçamento de 6% do PIB. Uma fonte governamental grega que pediu anonimato e explicou à Agencia Efe que o objetivo deste novo programa de poupança é reduzir o déficit atual de 13,6% em 2009 até os 2,9% do PIB em 2013. Atenas se encontra a um passo de fechar as negociações com a Comissão Europeia (CE), o Banco Central Europeu (BCE) e o FMI para que Grécia possa receber ajudas internacionais de até 135 bilhões de euros nos próximos três anos. A própria CE admitiu hoje que as negociações devem terminar em breve, mas sujeitou o acesso aos fundos à aplicação das medidas de saneamento fiscal e o aprofundamento das reformas estruturais com as quais o país deve reduzir o déficit público gigantesco. O acompanhamento do ajuste grego será pormenorizado, segundo asseguram os analistas, inclusive mês a mês com uma lista de objetivos que devem ser cumpridos para que continue o fluxo de ajuda internacional. O otimismo sobre uma ativação rápida do pacote de ajuda disparou nesta quinta-feira a Bolsa de Atenas em 7%, enquanto o risco da dívida soberana grega caiu a menos de 600 pontos básicos e a um tipo abaixo dos 10%, após superar os 800 pontos básicos ontem. "Todas as forças sociais e produtivas devem de se unir para fazer frente aos problemas do país. Não há outro caminho", sustentou Jristos Polisogópulos, presidente da Comissão Econômica e Social da Grécia (OKE), um fórum dos patrões e dos trabalhadores. Por sua vez, Giannis Panagopoulos, presidente do sindicato do setor privado GSEE, declarou que a reunião de hoje foi "uma primeira mostra" de um pacote de medidas "muito severo", que levarão o país à recessão, e que contém "medidas injustas". "Isto vai a aumentar de forma grave a carga sobre o povo. E o que é pior, de forma injusta", criticou o líder do sindicato de trabalhadores públicos ADEDY, Ilias Iliopolos. Papandrou apresentará hoje também o programa de austeridade perante o conselho político de seu partido, o Pasok, para obter seu sinal verde, e espera-se que o defenda perante o Parlamento na próxima semana. A Grécia deve fazer frente ao reembolso de 9 bilhões de euros em dívida soberana no dia 19 de maio, e as condições de refinanciamento no mercado, em torno de 10%, são proibitivas. Após a eleições de outubro, o novo Governo socialista teve que admitir que o déficit do Executivo conservador anterior era o triplo do reconhecido oficialmente, o que levou o país a beira da quebra. EFE afb/pb

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