Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Pânico voltou à cena e Bovespa caiu 7,3% ontem; dólar passou de R$ 2

SÃO PAULO - Repetindo a segunda-feira, o pânico voltou a tomar conta dos mercados ontem. A diferença foi a falta de uma notícia de peso que justificasse a enxurrada de vendas.

Valor Online |

A expectativa era de um pregão mais tranqüilo, já que a aprovação do pacote de resgate ao sistema financeiro dera um passo importante na quarta-feira à noite ao ser aprovado no Senado dos Estados Unidos.

Hoje, a Câmara dos Representantes americana deve analisar o projeto aceito pelos senadores, modificado para " adoçar " a proposta inicial do Tesouro ao incluir medidas que agradem o norte-americano médio, como isenção de impostos e maior proteção para os depósitos.

O temor é que os congressistas voltem a rejeitar o plano, como fizeram na segunda-feira, causando estragos em todos os mercados.

Essa foi uma das justificativas dada pelos analistas para explicar as perdas dessa quinta-feira. Outro ponto que teria pesado sobre o humor do investidor é a idéia de que, com pacote ou sem pacote, os Estados Unidos rumam para uma recessão. O assunto não é novidade, mas parece que ontem a " ficha caiu " .

O fato é que, quanto mais algo demora a ser feito, piores ficam as condições de liquidez e mais desconfiados ficam os agentes do sistema financeiro. Desde a semana de 18 de setembro, o mercado espera ajuda e algumas instituições não estão mais conseguindo " se segurar " em meio à restrição de crédito.

Outra leitura é que as vendas exageradas foram uma forma de pressionar os deputados norte-americanos a votar a proposta de forma rápida e favorável.

Também começa a se consolidar a idéia de que " o estrago já está feito " . O pacote dos EUA pode conter um colapso, mas a restrição de crédito, desconfiança e baixo crescimento já estão contratados.

Na Bovespa, o pior momento do dia foi à tarde, com o índice desabando 9,4%, para 45.113, beirando o " circuit breaker " - suspensão automática dos negócios quando a desvalorização passa de 10%.

As vendas diminuíram um pouco, mas ainda assim o Ibovespa perdeu mais de 3.600 pontos, ou 7,34%, encerrando aos 46.145 pontos. O giro financeiro somou R$ 5,58 bilhões.

Em Wall Street, as vendas também foram acentuadas. O Dow Jones caiu 3,22%, encerrando aos 10.482 pontos. Na bolsa eletrônica Nasdaq, o declínio correspondeu a 4,48%.

O mercado de câmbio não escapou ao pânico e, depois de tentar por algumas vezes, o dólar voltou para cima dos R$ 2, algo não observado desde agosto do ano passado. Vale lembrar que dois meses atrás a moeda estava ente R$ 1,55 e R$ 1,60 e era impensável apostar em dólar a R$ 2.

No entanto, o mercado seguiu com poucos negócios. Um exemplo claro disso foi a calmaria na mesa dos bancos, conforme operador. A formação da taxa continua acontecendo no mercado futuro, que é para onde os investidores correm em busca de proteção ou aproveitam o momento para montar posições contra o real.

Ainda de acordo com operadores, o Banco Central (BC) não está oferecendo linhas de crédito para a exportação via leilão; os bancos assumiram a função. Leva o crédito quem pagar mais pela linha de recursos externo.

Em acentuado aumento desde o começo da sessão, o dólar comercial terminou com ganho de 5,09%, valendo R$ 2,021 na compra e R$ 2,023 na venda. O preço é o maior desde 21 de agosto do ano passado, quando a moeda fechou a R$ 2,037.

Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM & F) a moeda subiu 5,48%, para R$ 2,03. O volume financeiro somou US$ 359,75 milhões.

Os juros futuros, que vinham descolados na instabilidade não resistiram a forte piora de sentimento do dia e voltaram a acumular prêmios. Taxas subindo e alta no dólar apontam desmanche de posições.

Ao fim do pregão, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010, o mais negociado, apontava alta de 0,17 ponto percentual, a 14,54% ao ano. O vencimento janeiro 2011 teve valorização de 0,31 ponto, apontando 14,44%, e Janeiro 2012 projetava 14,37%, ganho de 0,38 ponto.

Entre os contratos curtos, o vencimento para novembro 2008 fechou estável a 13,63%. Dezembro de 2008 avançou 0,01 ponto, para 13,85%. O DI para janeiro de 2009 encerrou apontando 14% ao ano, alta de 0,02 ponto.

Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 685.350 contratos, equivalentes a R$ 56,89 bilhões (US$ 29,61 bilhões). O vencimento de janeiro de 2010 foi o mais negociado, com 312.820 contratos, equivalentes a R$ 26,43 bilhões (US$ 13,75 bilhões).

(Eduardo Campos | Valor Online)

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG