SÃO PAULO - A histeria voltou a dominar os mercados internacionais nesta manhã e carregou junto a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que já teve paralisação automática acionada pelo circuit breaker ao cair mais de 10% após a abertura. A tensão em relação ao risco sistêmico financeiro e ao prejuízo para a economia real continua orientando a irracionalidade dos mercados.

Instantes atrás, o Ibovespa marcava 34.295 pontos, com baixa de 7,51% e giro financeiro de R$ 1,824 bilhão. Na mínima verificada no ponto de interrupção das operações, o índice tombou para 33.237 pontos.

No segmento cambial, o estresse também continua dando as cartas, levando o Banco Central a fazer nova venda de dólares, com taxa de corte a R$ 2,2750. O BC também faz daqui a pouco mais uma oferta de swap cambial, cujo resultado sairá depois das 13h. Agentes de mercado acreditam que novas vendas à vista podem ocorrer se a alta da moeda se acentuar.

Há pouco, a moeda avançava 3,77% comprada a R$ 2,2790 e vendida a R$ 2,2810. Na máxima do dia, a divisa foi cotada a R$ 2,3160, com mínima de R$ 2,24. O giro interbancário apontava para pouco mais de US$ 800 milhões.

A situação piorou na reta final do pregão de ontem em Nova York, quando o Dow Jones e o Standard & Poor´s caíram mais de 7%, devido a rumores e que a General Motors (GM) teria o rating rebaixado devido à dificuldades impostas pela crise. Os analistas entenderam que essa seria uma espécie de bandeira de peso sobre o efeito da crise para empresa da economia real. O pânico aumenta diante de sinais de recessão.

Álvaro Bandeira, diretor da corretora Ágora Senior, afirma que, neste momento, o que os mercados precisam é de um "desfibrilador", um "choque" para que possam sair desse movimento.

Medidas para causar esse efeito envolveriam mais do que já foi proposto até agora. Mais estatizações de bancos, sobretudo nos Estados Unidos e Europa, mais corte de juros e a implementação rápida do plano de US$ 700 bilhões para tirar do mercado os ativos tóxicos.

Segundo Bandeira, a reunião de G7, que começa hoje em Washington, tem que trazer algumas medidas determinantes para pôr fim à crise e sinalizar a retomada da normalidade a partir de segunda-feira.

Na bolsa paulista, também contribuiu para o pessimismo o fato de algumas empresas importantes estarem enfrentando dificuldades com posicionamentos financeiros importantes em dólar. Assim como Sadia e Aracruz, os agentes lidam com suspeitas de outras grandes empresas listadas com problemas. Hoje, o Grupo Votorantim, que tem o capital fechado, anunciou perda de R$ 2,2 bilhões com operações de swap com verificação em dólar.

Instantes atrás, os papéis de maior peso no índice continuam em forte baixa. Petrobras PN cedia 8,80%, negociada a R$ 23,60, e Vale PNA declina 4,68%, a R$ 23,36. Queda de 7,13% para o ativo ON da BM & FBovespa, que agora vale R$ 7,29. Bradesco PN caía 7,15%, para R$ 21,81.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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