A forte exposição dos bancos à dívida pública da Grécia foi o detonador de uma tarde de forte tensão no mercado de câmbio, levando a moeda norte-americana a altas de mais de 5%. O temor com a situação fiscal da Grécia já existia, o medo de contágio de outras nações do bloco também, mas hoje a notícia de que os bancos europeus têm US$ 188,6 bilhões em títulos gregos disparou a aflição.

A forte exposição dos bancos à dívida pública da Grécia foi o detonador de uma tarde de forte tensão no mercado de câmbio, levando a moeda norte-americana a altas de mais de 5%. O temor com a situação fiscal da Grécia já existia, o medo de contágio de outras nações do bloco também, mas hoje a notícia de que os bancos europeus têm US$ 188,6 bilhões em títulos gregos disparou a aflição. Os investidores também reagem à aprovação pelo Senado americano de uma emenda, do projeto de lei de reforma financeira, exigindo dos grandes bancos o pagamento de um seguro maior sobre os depósitos ao Federal Deposit Insurance Corp do que o pago pelas instituições menores.

Ao final deste pregão tenso, o dólar à vista BM&F ficou travado em R$ 1,86 desde as 15h06, com alta de 3,51%, mas a moeda no balcão avançou 3,17%, a R$ 1,8540 - maior marca desde 12 de fevereiro -, depois de oscilar entre a máxima de R$ 1,89 e a mínima de R$ 1,80 (5% de variação entre uma e outra). A alta porcentual foi a maior desde 7 de janeiro do ano passado.

"O temor de contágio não é só de outras nações, mas o de que isso pode levar junto todo o sistema financeiro", explicou Sidnei Nehme, diretor executivo da NGO Corretora e Câmbio. Para ele, a compra de dólares não se dá, no Brasil, por aversão a risco, "mas por necessidade de caixa" dos investidores. Para Nehme, o fato de os bancos estarem vendidos tanto no mercado à vista como no futuro, e o Banco Central continuar a realizar leilões de compra, mostra que o mercado "tem a convicção de que a taxa não se sustenta". O BC comprou dólares em leilão no final do pregão, até 16h06, e fixou a taxa de corte em R$ 1,8660.

Nem mesmo a aprovação do parlamento grego ao pacote de austeridade serviu para acalmar os ânimos em relação à Europa, mesmo que isso signifique um passo para que a população "se conforme" com as medidas amargas adotadas pelo país para fazer jus ao pacote de socorro de 110 bilhões de euros.Para outro profissional, "no fundo, o fantasma de 2008 está voltando", já que os problemas da Grécia e de outras nações da zona do euro não são de agora, mas de 2008, e vinham sendo tratados até agora, "de forma muito displicente", disse o profissional.

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