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Países ricos precisam ir além do corte de juros, diz FMI

O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, elogiou a redução de juros promovida pelos bancos centrais do mundo rico, mas cobrou medidas mais amplas, e também coordenadas, para a estabilização dos mercados financeiros. O corte de juros é um passo na direção correta, mas a política monetária pode resolver apenas parte do problema, havia dito horas antes o economista-chefe da instituição, Olivier Blanchard.

Agência Estado |

A decisão anunciada ontem cedo pelos bancos centrais não afetou as novas projeções do Fundo para a economia global: Estados Unidos e Europa crescerão quase nada no próximo ano e a expansão global só alcançará 3% graças ao desempenho dos emergentes - também afetados pela crise.

O crescimento do Brasil diminuirá de 5,2% em 2008 para 3,5% em 2009, segundo o Panorama Econômico Mundial divulgado ontem pelo FMI. As projeções anteriores eram 4,9% e 4%. Nos EUA, o Produto Interno Bruto deve aumentar 1,6% neste ano e 0,1% no próximo. As estimativas para a zona do euro indicam 1,3% e 0,2% (ver tabela). Todas as previsões para o mundo rico encolheram desde julho. O risco de recessão nas maiores economias não está descartado, segundo Blanchard.

As projeções só não são piores porque os autores do relatório admitiram, em hipótese, que as autoridades americanas e européias conseguirão estabilizar as condições financeiras e evitar novos problemas. Mesmo nesse caso, as ações concertadas vão demorar para produzir efeito, disse Blanchard.

O corte de 0,5 ponto anunciado ontem pelos maiores bancos centrais não é inútil, mas "a maior parte do esforço é necessária no lado financeiro, não na política monetária", segundo o economista-chefe. E isso se aplica principalmente à Europa, acrescentou. Em diferentes momentos, ele e Strauss-Kahn cobraram das autoridades três linhas de ação: 1) prover liquidez ao mercado e tomar outras medidas necessárias para facilitar o crédito; 2) capitalizar as instituições financeiras e livrar os bancos dos créditos podres; 3) proteger os depositantes.

"Essas ações devem ajudar a restabelecer nos mercados financeiros a confiança necessária para evitar o reflexo negativo na economia real", disse o diretor-gerente. "Restabelecida a confiança, o crédito voltará, embora esse retorno deva ocorrer lentamente", observou.

Essas três linhas haviam sido propostas um dia antes pelo diretor do Departamento Monetário e de Mercado de Capitais do FMI, Jaime Caruana, ao apresentar o Relatório sobre Estabilidade Financeira Global.

Brasil, China, Índia e vários latino-americanos deverão passar pela crise sem danos muito graves, segundo as atuais projeções do Fundo. Os emergentes da antiga Europa socialista, assim como a Turquia, poderão ter maiores dificuldades, porque já apresentam taxas maiores de inflação e suas contas externas são mais vulneráveis.

No Brasil, o dólar em alta poderá causar alguma pressão inflacionária, mas esse efeito será em boa parte neutralizado pela redução do crescimento, disse Charles Collyns, diretor-adjunto de Pesquisa Econômica. Como a economia brasileira é grande e relativamente fechada, a menor expansão do mercado interno limitará o aumento de preços. A pressão sobre a capacidade produtiva será menor, argumentou o economista, familiarizado há anos com a economia brasileira. O País já enfrenta os efeitos do aperto financeiro internacional. Além disso, a receita de exportação de produtos básicos deverá ser afetada, acrescentou.

Segundo o Panorama, a inflação brasileira, calculada pela média do ano, deve ficar em 5,7% em 2008 e recuar para 5,1% em 2009. Esses números não são comparáveis com os dados correntes no Brasil, porque não se referem ao resultado de fim de ano. O déficit na conta corrente do balanço de pagamentos deve aumentar de 1,8% neste ano para 2% do PIB no próximo, permanecendo, portanto, em território considerado seguro.

Na América Latina, "as posições externas são geralmente robustas". As contas correntes, superavitárias a partir de 2003, devem fechar no vermelho neste ano e no próximo, mas o déficit previsto é pequeno, de acordo com o relatório. "Além disso, os níveis de reservas são altos e o câmbio flexível proporcionará espaço de manobra em muitos países." A situação fiscal melhorou , a classificação de crédito foi elevada e dois países, Brasil e Peru, alcançaram o grau de investimento há poucos meses.

No FMI já não se fala de economias emergentes descoladas do Primeiro Mundo em crise, mas o cenário latino-americano apresentado pelo Panorama ainda é bastante razoável. É muito diferente, de toda forma, daquele apresentado durante décadas, até os anos 90. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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