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Os países mais industrializados devem registrar uma recessão de 0,3% em 2009, arrastando para baixo o crescimento mundial, que não deve passar de 2,2%, informou nesta quinta-feira o Fundo Monetário Internacional (FMI) em um relatório de revisão das estimativas anteriores.

A contração da economia dos países ricos será a primeira desde 1945, advertiu o FMI em seu relatório especial, que rebaixou fortemente suas previsões para 2008 e 2009 em todos os países e regiões.

"É a primeira contração anual desde o pós-guerra, embora a queda seja comparável em magnitude à registrada em 1975 e 1982", indicou o Fundo.

A economia dos países mais desenvolvidos não deve se recuperar até o final de 2009, acrescenta o texto.

Além disso, um crescimento mundial abaixo dos 3% significa recursos insuficientes para combater a pobreza, segundo cálculos do FMI.

A queda do crescimento será especialmente aguda nos Estados Unidos, com -0,7% em 2009, e na zona do euro, com -0,5%.

A América Latina, como o resto das regiões em desenvolvimento, sofrerá as conseqüências da atual crise no próximo ano. Após registrar um crescimento de 4,5% em 2008, em 2009 esse ritmo deve cair para 2,5%.

O México deve sofrer o impacto da crise em particular, com uma estimativa de crescimento de 1,9% para este ano e de apenas 0,9% em 2009 (uma redução de 0,9% em relação às previsões feitas há um mês).

O Brasil, por sua vez, conseguirá crescer de forma robusta em 2008, com +5,2%, e em ritmo menos acelerado em 2009, com +3% (meio ponto percentual a menos que os cálculos anteriores do fundo).

"A queda cíclica das economias emergentes é de magnitude semelhante à das economias avançadas (...) em ciclos anteriores", explicou o FMI.

A revisão das expectativas, no entanto, "varia consideravelmente dependendo da região", afirma o relatório.

"Entre os mais atingidos estão os países exportadores de matérias-primas", alerta.

Paralelamente, "a combinação de estabilidade dos preços das matérias-primas e fragilidade econômica ajudará a conter as pressões inflacionárias", indicou o Fundo.

Os mercados financeiros "entraram em um círculo vicioso de queda das ações e liquidações de investimentos", continua o Fundo. Em apenas um mês, desde suas últimas previsões de crescimento mundial, o FMI constatou uma redução de 25% dos principais índices financeiros, enquanto o crédito se contraiu a níveis alarmantes.

"Os mercados dos países emergentes perderam cerca de um terço em valores monetários locais", afirma o relatório.

As medidas excepcionais assumidas nos países industrializados, como a nacionalização parcial do sistema bancário, a compra de ativos hipotecários e o corte coordenado de taxas de juros, "levarão tempo" para surtir efeito, lembra o FMI.

De maneira geral, "as perspectivas econômicas são excepcionalmente incertas", adverte.

"As condições financeiras continuam representando sérios riscos de uma desaceleração".

"Hé um necessidade evidente de mais políticas de estímulo em relação ao que já foi anunciado até agora, para apoiar o crescimento e favorecer um contexto para o restabelecimento da saúde dos setores financeiros", segundo o FMI.

"Dependendo de como as perspectivas se deteriorarem, a magnitude da recapitalização atual pode ser até maior", alertou por fim.

O Fundo destaca, também, que as medidas e garantias de apoio financeiro podem ter efeitos mais além das fronteiras dos países ricos, principalmente nas economias emergentes.

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