São Paulo - A reunião do grupo das 20 maiores economias mundiais, em São Paulo, rendeu até agora muitas propostas para superar a crise financeira internacional. O encontro termina hoje com a divulgação de um comunicado oficial do G20.

No relato do presidente do Banco Mundial, Robert Zoellik, os chefes de Estado do G20 financeiro terão muito o que discutir na cúpula marcada para o próximo dia 15, em Washington.

Líderes durante reunião do G20 Financeiro em São Paulo / Foto: Agência Brasil

Ontem, o dia foi de debates entre ministros da área econômica e presidentes de bancos centrais de 19 países emergentes e desenvolvidos mais a União Européia. Segundo Zoellick, o Brasil propôs a retomada da Rodada Doha, para que o comércio impulsione o crescimento econômico. Indonésia e Índia sugeriram financiamento adicional para os países mais afetados pela crise.

Já o Banco Mundial reconheceu a eficiência de medidas paliativas adotadas por diversos países em desenvolvimento como o Brasil, que incentivou o crédito a alguns setores da economia, como bancos, agricultura e construção civil. Apesar disso, Zoellick alertou para o fato de que "todos os países estão se movendo em uma zona de perigo, com altos riscos para as exportações e investimentos no setor produtivo, crédito, sistema bancário, orçamentos e balanças de pagamentos".

O presidente do Banco Mundial defendeu que é preciso garantir que a crise financeira não se torne uma "crise humana", empurrando mais pessoas para a pobreza. Nesse sentido, segundo ele, vários países concordam que há necessidade de expansão fiscal para minimizar os efeitos da atual crise no médio e longo prazos. "Isso foi discutido tanto no contexto das economias do mundo desenvolvido quanto em desenvolvimento", relatou.  

Zoellick admitiu que nem todos estão preparados para gastar, apesar dos ajustes econômicos promovidos nos últimos anos. Segundo ele, alguns ministros de economia e presidentes de bancos centrais de países em desenvolvimento demonstraram apreensão à proposta pela pressão inflacionária ainda persistir.

Ele insistiu na necessidade de investimentos públicos na área social e em infra-estrutura. Para Zoellick, é possível criar uma boa rede de assistência social gastando menos de 1% do Produto Interno Bruto dos países. Como exemplo, citou o Brasil e o programa Bolsa-Família. 

"Podemos ter a repetição dos problemas que vimos nos anos 2000 e 2001, a menos que olhemos para a regulação, a supervisão financeira e para políticas monetárias", ponderou.

Ele relatou que quase todos os representantes do G20 na reunião concordaram com o diagnóstico de que a falta de regulação foi uma das causas da atual crise. Mas, no entanto, o grupo não se deciciu pela proposta do Brasil e de outros emergentes de criar um organismo supranacional para regulação das transações financeiras. 

"Os países vão querer manter sua autoridade nacional, mas vão querer princípios, práticas e padrões comuns a serem desenvolvidos e talvez monitorados por um grupo multilateral", afirmou.

"Não acredito que qualquer país vai querer passar sua autonomia de regulação financeira para um órgão supranacional", reiterou. Ele mesmo não acredita nesse tipo de solução. "Não acredito que alguma instituição será capaz de gerenciar isso sozinha."

Como alternativa, o presidente do Banco Mundial sugeriu a ampliação do Fórum de Estabilidade Financeira (FSF). "O FMI poderia ter um papel de apoio no monitoramento e na supervisão", propôs.

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