Em contraste com o Brasil, que se prepara para voltar a elevar a taxa básica de juros, as principais economias do mundo, como Estados Unidos, Japão, zona do euro e Reino Unido, devem manter seus índices inalterados pelo menos até o início de 2011. A previsão é feita por diferentes especialistas europeus e é endossada pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O consenso entre os experts é de que a conjuntura econômica dos países do G-7, marcada por sinais ainda modestos de aquecimento da atividade e por baixo risco inflacionário, não favorece a elevação do juro. Já as medidas excepcionais que garantiram a liquidez do mercado financeiro desde 2008 estão com os dias contados.

"Todas as grandes economias neste momento estudam o movimento de elevação dos juros. O Banco Central Europeu (BCE), por exemplo, retirou um bom número de medidas de exceção que estimulavam a liquidez. Isso já faz parte da estratégia de saída, que está em um estágio preliminar", afirmou ao Estado o ex-ministro da Economia da França Boris Cournède, membro da Divisão de Políticas Macroeconômicas da OCDE.

A constatação encontra amparo no discurso do próprio presidente do BCE, Jean-Claude Trichet. Há dez dias, o banqueiro confirmou que as medidas de estímulo à liquidez já estavam sendo retiradas, mas alertou que a decisão não representaria "um sinal de modificação da política monetária".

Segundo Cournède, as estratégias de saída obedecem a ritmos diferentes. Na Austrália, por exemplo, os juros já foram elevados. O Japão, no entanto, enfrenta a perspectiva de deflação e não pode voltar a majorar seu índice em curto prazo. Já nos EUA e na zona do euro, a elevação deve acontecer no início de 2011.

"Estamos em uma fase de pré-aumento dos juros. Mas a retomada da atividade produtiva ainda é tímida em muitas regiões", argumenta. "Todos os BCs estão prontos a elevar as taxas, mas não julgam necessário neste momento, até porque há desafios mais urgentes, como a questão dos déficits fiscais."
A situação contudo, é diferente em países em desenvolvimento, como a China, que enfrentam risco inflacionário, em especial no setor imobiliário, causado pelo superaquecimento econômico, adverte Cournède.

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