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Países reagem positivamente à proposta para salvar Rodada de Doha

Isabel Saco Genebra, 26 jul (EFE).- Os elementos centrais de um acordo nos capítulos agrícola e industrial da Rodada de Doha foram definidos esta noite, quando receberam o sinal verde de uma grande parte de nações negociadoras, entre elas as principais potências comerciais, com exceção de Índia, que se distanciou do texto.

EFE |

Em reunião com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e os titulares de Austrália, China, Índia, Japão, Estados Unidos e União Européia (UE), o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, apresentou um texto para encerrar as divergências existentes, após cinco dias de negociações tensas.

Segundo fontes que estavam presentes na sala, Lamy disse que a proposta refletia fielmente o ponto no qual as posições convergiam.

A aposta do diretor-geral da organização certamente foi arriscada, mas a única possível para chegar a um ponto de entendimento e evitar o fracasso da Rodada de Doha, lançada em 2001 para liberalizar a agricultura, os mercados industriais e o comércio de serviços.

Após essa reunião, a mesma proposta foi levada a um grupo de 30 países, que representam todas as regiões do mundo e os interesses comerciais em jogo neste processo.

Fontes diplomáticas disseram que, ali, a grande maioria de ministros apoiaram a proposta igualmente, mas também expressaram dúvidas.

Nações como Indonésia, que representa o Grupo dos Trinta e Três países em desenvolvimento, e Lesoto, pelos Estados menos desenvolvidos, disseram que deviam consultar com os respectivos parceiros antes de dar a resposta definitiva, enquanto a Argentina considerou que o texto não era equilibrado.

A Índia não rejeitou o texto, mas rejeitou apoiá-lo.

Posteriormente, em declarações aos jornalistas, o ministro de Comércio indiano, Kamal Nath, disse que havia tido progressos, mas enfatizou que "há assuntos pendentes relacionados com a subsistência das populações pobres".

Segundo diversas fontes presentes na reunião, a China contribuiu de forma importante a uma aceitação majoritária do texto de Lamy ao pedir aos membros para assumir suas responsabilidades nestas negociações.

"A China demonstrou que está à altura da responsabilidade que lhe corresponde por seu peso econômico e sua inserção no comércio mundial", disse um negociador.

Os ministros que participaram da reunião explicarão nesta sexta-feira aos grupos de países que representam o alcance da proposta de Lamy, pois qualquer acordo terá que ser aprovado pelos 153 membros da OMC.

Além disso, todos os ministros que se encontram em Genebra participarão hoje de uma conferência sobre o comércio de serviços e deverão expressar, ali, os compromissos que as nações estão dispostas a assumir na liberalização deste setor.

Com esta reunião, ficará claro o que se pode alcançar em serviços, uma área que é de grande interesse para os países desenvolvidos, mas também para a Índia, que pretende que se facilite o movimento além da fronteira dos trabalhadores indianos nos setores de informática e telecomunicações.

No domingo, os 30 ministros voltarão a se reunir para receber as respostas que ficam pendentes e, caso a Índia e o resto de países que manifestaram reservas aprovem o texto, a minuta será apresentada perante os 153 países, provavelmente na segunda-feira.

Embora todos estes movimentos representem um avanço crucial na Rodada de Doha, que espera-se que termine este ano e que é um acordo final que deverá incluir cerca de 20 temas, dos quais agricultura, abertura industrial e serviços são só três, embora sejam os mais importantes e polêmicos.

Alcançar um acordo agora é fundamental, já que um fracasso implicaria ter de estacionar estas negociações por alguns anos. EFE is/db

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