Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Países pobres temem esquecimento das metas de desenvolvimento na Rodada de Doha

Os países pobres observam as negociações comerciais de Genebra com duas grandes preocupações: a de um fracasso definitivo e a de um avanço obtido pelos países ricos e as potências emergentes a custa do sacrifício de suas ambições de desenvolvimento.

AFP |

O diretor geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), Pascal Lamy, convocou nesta semana os ministros de 35 dos 153 países da entidade para salvar a Rodada de Doha, lançada em novembro de 2001, com a intenção de finalizá-la em 2004.

Esta Rodada foi chamada de Rodada do Desenvolvimento porque apontava para a abertura dos mercados agrícolas dos países ricos para compensar as grandes desigualdades criadas pela liberalização comercial dos anos 90.

Mas as coisas se arrastaram até agora e estão sendo discutidas agora por apenas sete grandes potências comerciais -Estados Unidos, União Européia, Índia, Brasil, Japão, Austrália e China- representantes de duas categorias de países: os industrializados e os grandes emergentes.

Ambos os grupos tentam abordar aos poucos a causa dos mais pobres.

O Brasil disse que todos se beneficiariam de uma abertura dos mercados agrícolas do Norte. A União Eeropéia sustentou que a perda das vantagens alfandegárias que concede a muitas de suas ex-colônias beneficiaria principalmente grandes donos de terras na América Latina.

Os países pobres expressaram esta semana suas preocupações e pediram a eles que busquem soluções e não falem pelos demais.

"Sabemos que cada um dos Sete tem dificuldades, ambições e sensibilidades (...) Mas por favor não saiam deste salão dizendo que tomaram esta e aquela decisão em nome dos países em desenvolvimento que estavam do lado de fora", disse o ministro do Comércio da Costa Rica, Marco Vinicio Ruiz, em uma reunião ampliada e ministros quinta-feira à noite.

"Se o processo fracassar, teremos que enfrentar sérias conseqüências", acrescentou.

A delegação africana afirmou que tanto a Europa como os Estados Unidos e as potências emergentes podem "oferecer mais".

"Precisamos de mais flexibilidade de todos os negociadores, não queremos que a esta altura se diga que houve um fracasso por culpa deste ou daquele indivíduo", manifestarou-se.

O número dois da missão da República Democrática do Congo em Genebra, Fidel Sambassi, lamentou que "nas negociações as demandas africanas sobre o algodão e a banana tenham sido deixadas de lado".

Para ele, houve um retrocesso da agenda de desenvolvimento.

"Depois dos atentados de 11 de Setembro (de 2001 nos EUA), os países desenvolvidos viram que a maioria dos terroristas vinha de países pobres e que a através do comércio podiam ajudar a melhorar a situação desses países", lembrou Sambassi à AFP.

js/acc/lm

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG