O crescimento econômico dos 50 países menos avançados (PMA) foi o maior dos últimos 30 anos, mas o número de pobres continua aumentando, indicou nesta quinta-feira a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad).

As taxas de crescimento foram superiores ou iguais a 7% no conjunto de países menos avançados em 2005-2006, segundo o relatório de 2008 da Unctad sobre os Países Menos Avançados (PMA).

O crescimento das exportações foi particularmente forte nos países exportadores de petróleo (Angola, Guiné Equatorial, Sudão, Chade, Timor-Leste e Iêmen) e minerais (Zâmbia, República democrática do Congo, Moçambique, Guiné, Mali e Mauritânia).

"Estas exportações representam 76% das exportações totais dos países menos avançados", ressaltou à imprensa Supachai Panitchpakdi, secretário geral da Unctad.

A parte das matérias-primas nas exportações desses países, (33 africanos, dez asiáticas, cinco países do pacífico e uma do Caribe) passou de 59% em 2004 para 77% em 2006.

Segundo a organização, 581 milhões de pessoas de uma população total de 767 milhões viveram com uma renda inferior a dois dólares por dia em 2005.

Como em inúmeros países os pobres dedicam de 70% a 80% de suas rendas à alimentação, a recente alta drástica dos preços dos alimentos pode anular os avanços obtidos, segundo a Unctad.

A organização manifestou ainda sua preocupação com a dependência cada vez maior dos países menos avançados das exportações de alguns produtos pouco elaborados, o que os torna vulneráveis em caso de turbulências na conjuntura.

Os PMA vêm registrando também uma dependência das fontes externas de financiamento, em particular da ajuda pública ao desenvolvimento, e mobilizam menos seus recursos internos, frisou o relatório.

ama/lm

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