A reunião dos quatro países da Europa Ocidental que integram o G8 acontecerá no próximo sábado em Paris, informou o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker.

"Teremos uma reunião preparatória para o G8 ampliado sábado em Paris", explicou Juncker, que saudou a iniciativa do presidente francês, Nicolas Sarkozy, para elaborar respostas à atual crise financeira mundial.

Sarkozy também propôs que se realize uma reunião de cúpula internacional nas próximas semanas para fundar as bases de um novo sistema financeiro internacional.

O encontro de sábado reunirá os governantes de Alemanha, França, Grã-Bretanha e Itália, além do presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, Juncker e o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet.

Juncker disse ainda que os países do G8 - integrado também por Estados Unidos, Canadá, Japão e Rússia - "não estão em condições de resolver por si próprios os problemas financeiros mundiais" e que é necessário ter outros países, entre os quais citou Índia e China, nas próximas reuniões.

Uma das questões que devem ser discutidas no encontro de sábado é se a Europa deve preparar um plano de resgate como o elaborado e atualmente em discussão nos Estados Unidos.

Josef Ackermann, presidente do Deutsche Bank, o maior banco da Alemanha, afirmou que os governos europeus devem preparar um plano de resgate de seu setor bancário que possa ser utilizado em caso de emergência.

"Se os Estados Unidos aprovarem um plano de resgate, a Europa também deveria estar disposta a proporcionar soluções similares", declarou Ackermann.

Os bancos e os governos devem dar uma resposta aos riscos sistêmicos dos mercados financeiros, insistiu, recordando a importância de estabilizar os mercados e fazer com que a confiança retorne.

Mas Juncker insiste que a Europa não precisa de um plano de resgate como o americano porque seu sistema bancário não está no mesmo "estado dramático".

Mesmo assim a Europa está está estudando novas medidas para melhorar o funcionamento do sistema financeiro diante da intensidade da crise no continente europeu, que já forçou a nacionalização ou a venda a preços de desconto de vários bancos do Velho Continente.

Durão Barroso nesta quarta-feira que os países membros estão pensando em criar um sistema comum para proteger os depósitos bancários dos particulares no continente.

Mas depois dos resgates do banco belgo-holandês Fortis, do britânico Bradford & Bingley e do franco-belga Dexia, a saúde das instituições financeiras européias continua preocupante.

O governo italiano anunciou nesta quarta-feira que pretende adotar as medidas necessárias para garantir a estabilidade do sistema bancário, segundo o ministério da Economia e Finanças.

"Com o objetivo de proteger o mercado dos ataques especulativos devido ao clima de incerteza no sistema financeiro internacional, o ministério da Economia e Finanças e o presidente do Banco Central se comprometem a adotar as medidas necessárias para garantir a estabilidade do sistema bancário", afirma um comunicado ministerial.

O anúncio foi feito depois que as cotações dos maiores bancos da Itália, UniCredit e Intesa Sanpaolo, foram suspensas nesta quarta-feira por quedas excessivas.

O governo francês também procura acalmar os rumores de que seu banco de poupança (Caisse d'Epargne), um dos maiores do tipo no país, estava perigosamente expostas à crise dos "subprime".

Segundo a imprensa francesa, o governo trabalha num plano de emergência para estimular a economia e apoiar os bancos.

Já as ações do maior banco suíço, o UBS, eram as que mais subiam na bolsa de Zurique devido aos rumores de que a instituição anunciará supressões de emprego em massa numa reunião geral extraordinária.

O Banco Central Europeu (BCE), por sua vez, concedeu créditos a um dia de 50 bilhões de dólares depois de ofertas pelas quais, na véspera, teve uma forte demanda, inclusive a uma taxa de 11%.

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