Bogotá, 24 mar (EFE).- A cooperação entre países em desenvolvimento ronda US$ 12 bilhões ao ano, o que já equivale a 10% do que recebem das nações desenvolvidas, como apontam números do Banco Mundial (BM) divulgados hoje em Bogotá.

A diretora-executiva do BM, a nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala, disse que a chamada Cooperação Sul-Sul (CSS) cresce, mesma tendência mostrada pelos investimentos entre os países da região.

Ngozi viajou para a capital colombiana para discursar na abertura do fórum Cooperação Sul-Sul e Desenvolvimento de Capacidades, que conta com a presença de cerca de 500 representantes de 131 países.

A nigeriana abriu os trabalhos na reunião junto ao presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, e o subsecretário-geral das Nações Unidas para Assuntos Econômicos e Sociais, o chinês Sha Zukang.

O encontro é como uma prévia da conferência da mesma natureza convocada para o próximo ano em Seul, e tem como antecedentes um fórum de doadores realizado há cinco anos em Paris e outro ocorrido há um em Gana, onde foi assinada a Agenda de Ação de Acra (AAA).

A agenda comprometeu os países a tornar mais eficiente a cooperação, assunto dominante na capital colombiana. O fórum atual irá até a próxima sexta-feira e nele se adotará a já chamada Declaração de Bogotá.

"Em termos de investimentos, muitos países do Sul estão vendo oportunidades e têm uma melhor disposição talvez que países ou economias do Norte", reconheceu a diretora-executiva do BM à imprensa.

"Imagino que no futuro vamos ver mais fluxo de investimentos diretos do estrangeiro do Sul ao Sul, haverá também um aumento dos fluxos comerciais do Sul ao Sul e também mais fluxo de ajuda", previu a nigeriana, que, em 2003, se tornou a primeira mulher a ocupar o Ministério das Finanças de seu país.

Nesse sentido, a diretora-executiva do BM ressaltou que a ajuda Sul-Sul é de US$ 12 a 15 bilhões ao ano, contra os US$ 121 bilhões que soma a cooperação Norte-Sul.

O BM observou que, além das obras de infraestrutura, que oferecem grandes possibilidades, na cooperação internacional ganham importância os assuntos ou programas sociais e de meio ambiente.

Na conferência desta semana, os recursos naturais são uma das frentes da cooperação internacional que têm mais relevância.

Entre eles está a água. Em 2008, por exemplo, o Governo espanhol instituiu um fundo para a América Latina com vigência de quatro anos e US$ 1,5 bilhão.

Com a iniciativa e outras de cooperação na região, a Espanha alcançou o posto de "maior doador internacional na América Latina, à frente dos Estados Unidos e da Comissão Europeia (órgão executivo da UE)", segundo a secretária de Estado de Cooperação espanhola, Soraya Rodríguez.

A cooperação é uma frente que o presidente colombiano também destaca na evolução das relações entre países que, como o seu, é agora doador além de receptor.

A Colômbia, como outros, mobilizou recursos em situações de catástrofes como os recentes terremotos em Haiti e Chile, lembrou Uribe, que observou que, no mesmo sentido, ofereceu ou partilhou com outros, como El Salvador, México, Honduras, Guatemala e República Dominicana, o conhecimento em biocombustíveis.

"A Colômbia foi um país receptor de cooperação e começa a ser um país que também coopera", disse Uribe. EFE jgh/rr

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