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Países em desenvolvimento saem enfraquecidos das negociações da OMC

As negociações na Organização Mundial do Comércio (OMC) enfraqueceram o grupo dos países em desenvolvimento, que adotaram posições divergentes sobre a agricultura e sobre os produtos industrializados.

AFP |

Ao aceitar as propostas colocadas sobre a mesa pelo diretor geral da OMC, Pascal Lamy, para as seis potências comerciais (EUA, UE, Índia, Brasil, China, Austrália e Japão), o Brasil virou as costas para a Índia, a China e seus parceiros no Mercosul.

Estas diferenças ofuscaram o G20, o grupo dos países emergentes criado em 2003, em Cancun, em torno de uma posição comum contra os subsídios agrícolas, sob liderança do Brasil.

No centro das discussões, o mecanismo de salvaguarda que permite aos países em desenvolvimento proteger seus produtos da disparada das importações reativou os antagonismos entre os grandes exportadores agrícolas (Brasil, Uruguai e Paraguai) e os que desejavam proteger seus pequenos agricultores (Índia, Indonésia e Filipinas).

"No G20, temos uma posição de princípio sobre o mecanismo de salvaguarda, mas não de números", declarou o ministro indiano do Comércio, Kamal Nath, durante uma entrevista à imprensa.

Ele lembrou que cerca de "100 países", principalmente o G33 (países em desenvolvimento que procuram proteger um pequeno número de produtos agrícolas) se pronunciaram juntos sobre o mecanismo de salvaguarda, com a China no campo dos insatisfeitos.

O governo de Pequim advertiu que esperava proteger sua produção de arroz, algodão e açúcar, produtos sobre os quais se recusa a reduzir os direitos aduaneiros.

A posição de Brasília também foi criticada pelos exportadores agrícolas. O Uruguai, o Paraguai e a Argentina, impacientes de conseguir melhor acesso aos mercados dos países em desenvolvimento para seus produtos, consideraram a posição de Brasília muito fraca sobre o mecanismo de salvaguarda.

A Argentina acusou o Brasil de provocar uma "tensão" no Mercosul, união aduaneira entre estes dois países, o Paraguai e o Uruguai.

Sobre os bens manufaturados, dois membros do G20, a Argentina e a África do Sul, que procuram proteger suas indústrias nascentes de fortes baixas de tarifas aduaneiras, se fizeram ouvir sobre suas oposições às propostas, colocadas sobre a mesa por Pascal Lamy.

Na tentativa de eliminar as brechas do G20, o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, repetiu na quarta-feira que o grupo "é muito diversificado", com "assuntos diversos".

Nesta quarta-feira, no fim da manhã, o ministro brasileiro encontro Kamal Nath para discutir os pontos de convergência do G20, posando para foto ao término do encontro numa demonstração de união.

Além disso, os países menos desenvolvidos (PMA) entraram em conflito interno na questão do acesso ao mercado americano. Enquanto o conjunto dos PMA se beneficia de um acesso sem cotas e sem direitos aduaneiros no mercado da UE, os EUA só concedem este privilégio aos países africanos.

O Bangladesh e o Camboja, que fazem parte dos PMA, queriam dispor destas prerrogativas para exportar seus têxteis aos EUA, indo desta forma contra Lesotho, exportador de roupas, que teme esta concorrência.

ama/lm

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