O Mercosul e seus associados - Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e Peru - não conseguiram hoje fechar o pacto de não-adoção de medidas protecionistas entre si - objetivo em que se empenhou especialmente o governo brasileiro. Apesar do reforço da necessidade de aprofundamento da integração regional como receita para enfrentar a crise financeira internacional, nenhuma das autoridades dos dez países reunidos no Palácio Itamaraty, em Brasília, chegou a se comprometer com o banimento do uso de barreiras para corrigir possíveis desequilíbrios no comércio regional.

Todos aceitaram que a fórmula para evitar que o mercado sul-americano seja invadido por exportações asiáticas, antes destinadas à União Européia e aos Estados Unidos, seja o resgate das negociações do acordo do Mercosul sobre a aplicação de salvaguardas e medidas de defesa comercial. Trata-se de uma iniciativa com potencial para detonar um dos princípios básicos do bloco - a tomada de decisões por consenso.

"O aprofundamento da integração é o caminho para se enfrentar a crise", afirmou Jorge Taiana, ministro das Relações Exteriores da Argentina, o primeiro país da região a adotar medidas de restrição a importações e a indicar sua possível necessidade de barrar o ingresso de produtos brasileiros. "A resposta à crise não é o protecionismo, de forma geral. Sobretudo, dentro do Mercosul. A resposta é mais integração. Temos de estar muito vigilantes", insistiu o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim.

A reunião foi encerrada com a perspectiva de retomada das discussões no próximo dia 15 de dezembro, quando o Conselho do Mercado Comum (CMC) - instância superior de decisões do Mercosul composta pelos ministros da Fazenda e de Relações Exteriores e por presidentes dos bancos centrais - se reunirá em Salvador, na Bahia.

Até lá, países do Mercosul vão participar do encontro de ministros da Fazenda e presidentes de bancos centrais do G-20, em São Paulo, e da reunião de cúpula convocada pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, em Washington. Segundo Amorim, nada impede um novo encontro extraordinário do CMC antes dessa data.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.