Os incidentes estão se multiplicando nos países bálticos, antigos tigres da União Européia atingidos em cheio pela crise econômica mundial.

Na Lituânia, cerca de 7.000 pessoas protestaram diante da sede do Parlamento, em Vilnius, contra as medidas de austeridade previstas pelo governo. Manifestantes atiraram ovos, bolas de neve e pedras na direção do Parlamento e da polícia, que respondeu com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha.

Os confrontos entre policiais e manifestantes deixaram 12 feridos, entre eles um policial. Quarenta pessoas foram detidas.

Em Riga, capital da Letônia, 10.000 pessoas foram às ruas na terça-feira perto do Parlamento para exigir a renúncia do governo e a organização de eleições antecipadas. A manifestação degenerou rapidamente, deixando como saldo uma dezena de feridos e uma centena de pessoas detidas, além de graves danos materiais.

Estas foram as maiores manifestações de rua desde que os dois países ficaram independentes da União Soviética, em 1991.

"Isso prova que as pessoas estão muito insatisfeitas. Não havia manifestações deste tipo desde a queda do comunismo", explicou Lars Christensen, analista do Danske Bank.

O descontentamento nos países bálticos é o resultado de uma mudança radical: após anos de bonança, suas economias foram atingidas em cheio pela crise financeira e econômica mundial, à qual ainda resistem outros países da "nova Europa" como Polônia, Eslováquia ou República Tcheca.

"Ainda estamos no início dos protestos", avisou à AFP Nils Muiznieks, especialista em política da Universidade da Letônia, advertindo que "a crise só vai piorar".

Membros da UE desde 2004, os países bálticos vinham sendo chamados de "tigres" devido a seu forte crescimento econômico, que continuou até 2007, com um aumento do Produto Interno Bruto (PIB) de mais de 10%.

O Parlamento letão aprovou uma série de medidas de austeridade, entre as quais um corte de 15% dos salários dos servidores públicos. O presidente da Letônia, Valdis Zatlers, decidiu cortar seu próprio salário em 8%, "por solidariedade com seus funcionários".

No mês passado, o Fundo Monetário Internacional (FMI), a UE e os países nórdicos concordaram em emprestar 7,5 bilhões de euros à Letônia.

A Letônia e a Estônia já estão em recessão, e a Lituânia, que também está negociando empréstimos, deve acompahar seus vizinhos ainda este ano.

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