Genebra, 25 jul (EFE).- O grupo de países africanos da Organização Mundial do Comércio (OMC) se queixou nesta sexta-feira da falta de resultados após uma semana negociando o desbloqueio da Rodada de Doha e pediu aos principais países do processo que demonstrem suas lideranças.

"Não podemos esperar para sempre. Precisamos ver se eles merecem o nome de líderes desta negociação", declarou em entrevista coletiva o vice-ministro de Comércio do Quênia, Uhuru Kenyatta.

Ministros de 30 países da OMC estão reunidos desde o fim de semana passado em Genebra (Suiça) tentando, com pouco êxito, desbloquear as conversas da Rodada de Doha, que são negociadas desde 2001.

O vice-ministro queniano esclareceu que o grupo africano "veio a Genebra com o compromisso de obter um acordo de êxito na Rodada de Doha", mas esclareceu que o mesmo tem de ser "balanceado e justo" e atender aos interesses de todos os membros.

"Não podemos esperar mais, o algodão é um tema que está dentro do mandato de Doha e ainda não foi tratado", assegurou o ministro do Comércio de Burkina Fasso, Mamadou Sanon.

"Talvez as negociações possam continuar para sempre, mas nossos produtores não. Caso as usinas de algodão tenham que fechar por culpa dos subsídios dos países ricos nossos países empobrecerão ainda mais", encerrou.

Já a vice-ministra de Comércio do Egito, Samiha Fawzi, insistiu no processo de negociações, postura respaldada por Kenyatta.

"Temos de ter certeza de que não será o G7 (grupo dos principais países da negociação) que vai determinar. Eles são uma plataforma, nós somos outra. Esta é a decisão", disse Fawzi.

O G7, formado por Austrália, Brasil, China, Estados Unidos, Índia, Japão e mais a União Européia, está reunido há dois dias de forma separada para tentar destravar o processo.

Fawzi se queixou do fato de esta semana terem surgido propostas que apóiam os países ricos e que vão contra os interesses das nações em desenvolvimento.

A ministra do Egito citou a cláusula anticoncentração, que evitaria o aumento imediato de tarifas no caso de um aumento abrupto das importações ou do preço dos produtos agrícolas e dos setoriais, um procedimento voluntário pelo qual setores inteiros reduziriam a zero suas tarifas.

"Esta deveria ser a rodada do desenvolvimento e não vemos muito disso", concluiu. EFE mh/fh/fal

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.