A queda de 12,4% na produção industrial em dezembro fez crescer entre os economistas a crença de que o País possa ter dois trimestres seguidos de queda no Produto Interno Bruto (PIB), o que tecnicamente caracterizaria uma recessão. Eles acreditam ser inevitável uma retração de 2% a 3% no último trimestre de 2008, seguida por uma provável variação negativa nos três primeiros meses deste ano.

"Vamos ter uma queda do PIB neste trimestre, assim como no último trimestre do ano passado, só que agora será relativamente menor", afirmou Julio Sérgio Gomes de Almeida, professor da Unicamp e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda.

Para Carlos Geraldo Langoni, diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a recessão técnica provavelmente vai ocorrer, porém não deverá resultar num processo de recessão efetiva. O conceito de recessão, segundo ele, abrange um processo mais longo de retração do PIB. "Terminada a fase de desova de estoques que as empresas vivem hoje, a produção vai ser retomada, acompanhando a evolução da demanda", disse Langoni. Ele observou que até o Fundo Monetário Internacional (FMI)aposta na expansão da economia brasileira ao longo do ano.

O economista-chefe da consultoria MB Associados, Sérgio Vale, pondera que haverá uma queda forte no fim de 2008, mas no primeiro trimestre deste ano pode haver um rebote estatístico - crescimento relativo por causa de uma queda muito forte no período anterior. "Estamos com previsão de queda de 0,2% neste trimestre, mas eventualmente pode ser até positivo."

Para Vale, a queda do PIB em dois trimestres consecutivos é um padrão apenas. Segundo ele, há outros critérios para indicar ser haverá recessão como o emprego e a indústria. "A taxa de desemprego, com ajuste sazonal, já sobe desde agosto de 2008 e deve continuar subindo nos próximos meses. Podemos dizer que esse é um momento de recessão, sim."

Para Luiz Roberto Cunha, da PUC-RJ, como a economia mundial está cada vez mais "interdependente", não depende apenas do Brasil evitar a recessão técnica."O efeito do cenário externo está sendo muito pior do que se esperava", observou. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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