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País vai desacelerar em 2009, diz Ipea

As incertezas relacionadas à crise financeira mundial devem levar à suspensão de decisões de novos investimentos no Brasil temporariamente, mas não devem prejudicar o desempenho da economia este ano nem interromper os investimentos já em execução. A avaliação é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Agência Estado |

Em relação a este ano, a expectativa é de que o Produto Interno Bruto (PIB) possa crescer acima de 5,2%, que é o teto da projeção do instituto. A desaceleração ficaria para 2009. "Nem a crise internacional nem nenhum outro fator vai afetar de forma substancial o crescimento da economia brasileira em 2008", disse o coordenador do Grupo de Análise e Previsões do Ipea, Marcelo Nonnenberg, autor das projeções. "Não se descortina o fim da crise ainda. A gente espera que as decisões de novos investimentos sejam suspensas até o cenário ficar mais claro", afirmou.

Com os resultados já obtidos do PIB no primeiro semestre, se a economia brasileira não crescer nada no segundo semestre, o PIB teria expansão de 4,7% no ano. Caso a expansão seja de apenas 0,5% no terceiro trimestre e 0,5% no quarto trimestre, o PIB crescerá 5,1%. No entanto, só a produção industrial em julho aumentou 8,5% em relação ao mesmo mês de 2007. O Ipea prevê que crescerá 2,5% em agosto em relação a agosto de 2007. A desaceleração é influenciada pelo menor número de dias úteis no 8º mês deste ano, observou o pesquisador Leonardo Carvalho. Para o período de setembro a dezembro, porém, o número de dias úteis de 2008 será superior ao do ano passado, o que se refletirá em aumento da produção.

Na agricultura, a safra de grãos esperada para este ano é recorde, 9% superior a 2007, e está influindo para conter a inflação. A expectativa da especialista em inflação do Ipea, Andréia Parente, é de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) termine o ano em 6% "ou até menos".

A crise, porém, ainda traz incerteza sobre o futuro. Para Nonnenberg, o primeiro impacto está ocorrendo no câmbio. Tanto os efeitos da desaceleração da economia mundial quanto a redução dos preços das commodities devem ter impacto negativo sobre as exportações brasileiras e desacelerar a expansão do PIB em 2009. "Outro efeito que está aparecendo é a interrupção dos fluxos internacionais de crédito", disse Nonnenberg.

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