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BRASÍLIA - A preocupação espelhada por analistas sobre a deterioração da conta corrente externa não é compartilhada pelo chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Altamir Lopes. Temos reservas para bancar, e esse é um ponto positivo , afirmou ele, em relação a situações de degradação das contas externas do país ocorridas no passado.

Segundo Lopes, se confirmado o déficit nominal recorde de US$ 49 bilhões para as transações do país com o exterior, ao fim de 2010, o " rombo " corresponderia a cerca de 20% das reservas internacionais do país, com estoque projetado em US$ 245,25 bilhões para o período.

Os dados do BC mostram que entre 1970 e 2009, o resultado negativo da conta corrente correspondeu, em média, a 56% das reservas cambiais do país. Em termos nominais, o resultado deficitário mais elevado para a conta corrente foi registrado em 1998, em US$ 33 bilhões.

Na relação com o Produto Interno Bruto (PIB) dolarizado, a estimativa para este ano corresponde a 2,53%. Lopes lembra que entre os anos 1960 a 1980, a conta corrente externa chegou à casa dos 6,8% do PIB.

O próprio BC aponta que o investimento externo direto (IED) deve ficar em US$ 45 bilhões no ano, portanto, inferior ao necessário. A última vez que isso ocorreu foi em 2001, segundo Lopes, quando o IED ficou em US$ 22,45 bilhões e o resultado negativo da conta corrente em US$ 23,2 bilhões.

Mas ele sustenta que além do IED, o país deverá contar com fortes ingressos de investimentos para ações, títulos públicos federais e empréstimos das empresas. " Temos uma perspectiva boa para a economia brasileira " , destacou.

A taxa de rolagem dos empréstimos privados ficou em 261% na média, no primeiro bimestre do ano. O BC trabalha com uma média de 125% para todo o ano. Em março, entretanto, a prévia até hoje apontava que de cada US$ 100 devidos, entidades brasileiras conseguiam refinanciar apenas US$ 31.

(Azelma Rodrigues | Valor)

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